quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
dona Tânia não gosta das coisas que eu escrevo!
Ontem à tarde eu estava checando a minha agenda para decidir a publicação da semana aqui no espaço. O telefone tocou. O número era restrito. Do outro lado, uma mulher de 45 anos, presumivelmente, se apresentou por dona Tânia.
E estava indignada com a “entrevista” da semana passada, publicada por mim, nessa sessão. Segundo a dona Tânia, a publicação foi vergonhosa.
E reforçou que mesmo sem conhecer a artista plástica Domênica Priolli de Aguiar, já antipatiza com as “fuças” dela.
Tentei argumentar que escolhia as minhas entrevistadas levando em consideração as suas preferências musicais, suas aptidões intelectuais e artísticas; e claro, as suas respectivas maneiras de vida.
E que havia chegado até a socialite Domênica Priolli de Aguiar, por causa de sua vasta coleção de obras de arte.
Do outro lado, dona Tânia estava praticamente aos gritos.
Dizia-se apavorada ao saber dos bichos empalhados que a artista plástica mantinha em sua sala de estar. E perguntou a mim:
- “que diabos” seria lobissote?
Expliquei rapidamente que lobissote, era na verdade, o lobo pequeno que aparece na foto. E que ao invés de chamar o lobo de bichano, ou de bichinho, a gente preferia chamar de bissote.
Não adiantou a explicação. Dona Tânia estava furiosa, principalmente, pelo fato de que a minha entrevistada era adepta dos casacos de pele legítimos. Questionou:
" - e tudo isso a troco de quê? Seria mesmo necessário ir tantas vezes “pro estrangeiro” só pra torrar dinheiro matando aquele monte de raposas"?
Eu permaneci em silêncio, afinal de contas, todas as vezes que eu a interrompia, ela se irritava ainda mais e me mandava ficar de “bico calado”.
Aliás, dona Tânia disse que um dos meus maiores defeitos quando escrevo
– é dar destaque ao modo luxuoso como vive os “figurões”:
Que volto e meia eu cito: deques, ante-salas, closet’s, pinacotecas, jacuzzis, loft’s.
E foi absolutamente grossa ao me passar o seguinte sermão:
“Gente comum não tem dinheiro pra comprar jacuzzi, Sr. Will. O dinheiro do pobre mal dá pra pagar o vaso sanitário”!
E sobre a escolha dos assuntos abordados aqui no espaço, dona Tânia reforçou que ao invés de ficar visitando as milionárias da Pontinha, da Praia dos Amores, do Coqueiral, os endinheirados da Praia das Conchas, que eu passasse a procurar pessoas mais humildes, mais verdadeiras, aquelas com os pés no chão, gente que sente na carne o sofrimento do cotidiano.
E citou uma conhecida dela, a Zenaide do Parque Mataruna, que é uma legítima dona de casa, mãe de 7 filhos, separada do marido e que vive sob muita dificuldade com um renda diminuta, mas que nem por isso, perdeu a vontade de dar certo na vida.
E que segundo ela mesma, a Zenaide estaria de namorico com um pagodeiro “boa praça” que mora no bairro Mutirão.
Fiquei pensando: se eu for mesmo falar com a Zenaide, será inevitável não comentar a possibilidade de esse namoro lhe render mais uns filhos extras.
Será que essa amiga da dona Tânia quer chegar à marca dos 10 filhos?
Falei sobre o Criança Esperança e nem bem terminei a frase, dona Tânia rebateu que esse projeto é “uma piada”, e que os filhos da Zenaide trabalham para ajudá-la nos rendimentos mensais.
E foi categórica:
"- cada um faz o que pode, acabam dando o jeito deles"!
Pra finalizar a conversa com a dona Tânia, tentei justificar a sabedoria de vida da artista plástica Domênica Priolli de Aguiar, principalmente, no trecho em que ela se intitula “sábia do terceiro milênio”!
Dona Tânia me interrompeu na mesma hora:
“ - ah, Will, ora bolas, faça-me o favor, né queridinho?
Sabida, por quê? Porque depois de velha acha que é dona da verdade e por isso tem o direito de vir a público dizer um monte de bobagens?
Se isso é ser sábia, eu quero é morrer ignorante"!
E por fim, quando eu agradecia a dona Tânia pela participação, ela gritou que não queria saber de mais nada e desligou o telefone na minha cara.
A entrevista da semana! (e com direito a lobissote)!
Sábado de manhã é dia de fazer o quê?
Acertou em cheio quem pensou na entrevista da semana.
E aos queridos amigos, posso confessar que estava com saudade de bater papo com alguma personalidade local, que estivesse, é claro, a fim de dividir suas experiências recentes.
E sendo assim, adentrei o condomínio de luxo na Praia dos Amores, e toquei a campainha da casa da artista plástica Domenica Priolli de Aguiar, que na quinta feira passada, reuniu 10 amigos num jantar de comemoração pelos seus 67 anos.
No saguão da entrada principal, várias obras de arte, esculturas da arquitetura europeia, telas valiosas penduradas na parede, davam um clima de riqueza e glamour pós-Era Moderna.
Agora, susto mesmo eu levei, quando caminhei em direção à lareira.
Me deparei com lobissote ali, todo empalhado, como se pudesse me engolir com essa bocarra toda cheia de dentes trincados (vide foto).
Eu senti um arrepio macabro percorrer a minha alma magrela. Era como se eu pudesse visualizar uma caçada mortal a outros lobissotes da mesma espécie.
Fui surpreendido por Domenica, que entrou sorrateira e logo me indagou:
“- tá apreciando os meus bichinhos, Senhor Will Fernandes”?
Por pouco eu não dei um berro, deixando escapar assim, a franga medrosa que habitava dentro de mim mediante aquela penumbra matinal.
Curioso, perguntei o porquê dela colecionar tantos bichos empalhados pela casa?
É isso mesmo, gente; havia mais bichos pendurados pela copa da mansão da artista.
Havia um bode, um gato siamês, um urubu Rei, uma raposa canadense e também uma gazela austríaca.
As expressões de horror que os bichos demonstravam em seu eterno estado de ser, fascinavam a minha anfitriã.
E ela me confessou:
“ – olha, Sr. Will, eu sempre gostei muito desse universo fantasmagórico!
Quando o meu marido era vivo, a gente ia pra Europa pelo menos umas quatro vezes por ano para caçar raposas. Eu, como toda mulher fina que se preze, sempre gostei muito de usar casacos de peles legítimas.
E o Gervásio me concedia esses dengos em todas as estações do ano”!
E a conversa prosseguiu animada.
Domenica me ofereceu vinho tinto e brindamos a tranquilidade bucólica que a rodeia nesses 67 anos recém completados.
Ela me autorizou publicar a foto de lobissote e disse que o que mais gosta de fazer aqui em Araruama é jogar tranca com a sua amiga Antonieta Vieira de Castro.
Ela cantarolou um trechinho de Reza, atual sucesso da Rita Lee, enquanto enchia a minha taça. Aproveitei a deixa e disse que também sou muito fã da Rita Lee.
Falei ainda que admiro à autenticidade de artistas feito ela.
E veio a seguinte preciosidade:
“ – eu entendo a Rita Lee, Sr. Will, porque uma mulher com mais de 60 anos pode falar tudo o que quiser e fazer coisas que até Deus duvida”!
E concluiu que o nome adequado pra isso é “autonomia da maturidade”!
Perguntei a ela, então, como se sentia ao completar 67 de idade?
E veio a resposta cortando a minha cara como se fosse um raio:
“ – me sinto velha, ora essa! Velha e mais perto da morte, porém, nada disso me desanima, sabe por quê, queridinho?
Porque eu já vivi o bastante e tenho consciência de que não serei a única a morrer”!
Antes de encerrar a entrevista, eu perguntei a Domenica Priolli o seguinte:
“- qual frase te definiria hoje, minha querida”?
E calmamente, ela sorveu mais uma golada de vinho, sorriu entre os dentes e concluiu:
“ – eu sou uma sábia do terceiro milênio”!
Dodóra lança disco e prepara uma turnê magnífica!
Não teve coletiva de imprensa, nem tampouco entrevista pro Faustão ou pro Serginho Groisman. Dodóra selecionou pessoalmente as pessoas para quem divulgaria o seu novo trabalho (disco e turnê)!
E eu fui um desses escolhidos. Mas nem tudo foi tão simples assim.
Fiquei apreensivo com a série de exigências estabelecidas pela artista.
Cabreira, Dodóra aceitou me conceder entrevista, no entanto, tratou de deixar claro alguns pontos:
“ – olha queridinho, eu vou conversar com você sobre o meu disco novo e sobre a turnê. Evite indagar a respeito da minha vida pessoal, ok?
Não quero me aborrecer com a imprensa. Teve uma vez que eu tive que DAR NA CARA de um 'veado', porque ele publicou infâmias a meu respeito”!
Entrevistei Dodóra em casa, um papo descontraído de quase duas horas e com direito a champanhe.
A artista está lançando o quarto disco de sua carreira, intitulado:
(não quero saber de mais nada)!
O disco é todo autoral e nele, Dodóra fala sobre as agruras do cotidiano e também a respeito das múltiplas faces do amor.
Dodóra é arredia, não gosta de meios termos, tem um timbre exaltado enquanto fala; quase tão impressionante quanto quando canta.
Outro dia mesmo, teve um coquetel aberto aos patrocinadores e Dodóra estava de mau humor. Acendia um cigarro atrás do outro, falava ao Nextel o tempo todo e parecia dispersa. Volto e meia, ela ‘bicava’ a sua dose dupla de whisky, levantava a sobrancelha esquerda em sinal de desdém para algo que a gente não sabia o que era e, a cada cinco minutos, incumbia Gladis Onassis de atender mais um dos seus fricotes.
A assessora de imprensa de Dodóra, Gladis Onassis é uma chata de galocha!
Toda hora dizia:
"- não pode isso, não pode aquilo, tem que ser por acolá e não sei mais o quê"!
Enfim, um pé no saco!
Teve uma hora que eu não me contive e perguntei:
“ – escuta aqui minha filha, a estrela aqui é você ou é Dodóra”?
Sobre as flores, é verdade sim!
Dodóra não suporta receber buquês de flores em seus camarins.
Segundo Gladis, Dodóra só gosta de flores nas árvores do seu jardim ricamente ornamentado.
Os fãs, amigos, patrocinadores, todo mundo que vai aos shows de Dodóra não medem esforços na hora de agradar a estrela de voz aveludada e lhe presenteiam com braçadas de orquídeas, girassóis, tulipas, no entanto, basta que se virem às costas e, ela atira as flores na lata do lixo!
Outro dia, Gladis se distraiu e levou um buquê de rosas chá pro carro.
Quando entrou e viu aquelas flores no banco de trás, Dodóra ficou furiosa.
Ameaçou tacar o ramalhete na cara de sua assessora, assim, sem cerimônia nenhuma, mas se conteve, respirou fundo, abriu a janela do carro a atirou as flores no acostamento de uma rodovia bem movimentada.
Existe um boato no meio artístico, que lá pelos anos 60, a cantora Ângela Maria também atirava fora todas as flores que recebia dos seus fãs.
Mas como eu disse: trata-se de boatos!
Com Dodóra não, ela joga tudo fora mesmo!
As únicas coisas que realmente agradam a cantora são: champanhe, charutos, joias, whisky e ser convidada para comer em restaurantes caros e renomados, sem ter que precisar pagar pela conta.
Fora isso, Dodóra não costumava levar pra sua casa nenhum daquelas presentes que os fãs adoravam lhe oferecer.
Tem uma história super curiosa, sobre um fã árduo de Dodóra, que durante um ensaio musical pruma emissora de Tv, levou para a sua musa preferida, uma carta que media três quilômetros.
Na carta, além das palavrinhas carinhosas, dessas de amor, o fã pintou uma aquarela de coraçõezinhos, todos bastante brilhantes por causa do glíter e, na hora da entrega, foi um constrangimento danado.
Todos perceberam que Dodóra havia odiado aquela ‘delicadeza’ inusitada, mas tentavam de todas as formas, evitar que acontecesse um ataque histérico por parte dela.
Nesse dia, porém, Dodóra fez a ‘fina’ durante o cerimonial e aceitou o trambolho oferecido pelo fã, e pasmem; ainda se deixou fotografar ao lado dele.
Agora se você está pensando que Dodóra levou a carta quilométrica pra casa, se enganou completamente.
Bastou o fã ir embora e a cantora largou os pacotes num canto qualquer do camarim.
Na hora da saída, Dodóra se dirigia até o carro, quando Gladis a surpreendeu com aquele rolo maciço de carta debaixo do braço e ainda queria saber o que fazer com aquele mimo.
Dodóra foi categórica: “ – joga essa porra no lixo, imediatamente”!
Perguntada certa vez, por um jornalista audacioso, o porquê dela nunca levar as flores presenteadas consigo, ela respondeu com a precisão duma granada:
“ – eu não sou obrigada”!
Por mais que deteste falar sobre a vida pessoal, não é segredo pra ninguém, que o dia a dia de Dodóra é uma sucessão de pequenos escândalos.
Sua vida conjugal, então, é uma catástrofe!
Dodóra não tem o menor talento pra romances, embora seja muito namoradeira!
O relacionamento mais longo que Dodóra manteve, durou um ano e três meses.
Ela namorou o empresário Clóvis Juan, um romântico a moda antiga que não media esforços para agradá-la.
Ela o mantinha sob-rédeas muito curtas e as brigas eram constantes.
E por mais que Clóvis Juan fosse um sujeito pacato e boa praça, nada disso era suficiente, quando Dodóra encasquetava que ele estava traindo-a com alguma vagabunda qualquer.
Certa vez, Dodóra e Juan tiveram uma briga muito feia, logo após um show.
A cantora ficou tão enfurecida, que destruiu o camarim completamente.
Voaram garrafas de whisky por todos os lados!
Os espelhos do toillet foram espatifados provocando um estrondo ensurdecedor.
Com uma tesoura nas mãos, Dodóra ameaçava retalhar a cara do seu amado em milhões de pedacinhos se ele não confessasse que mantinha um caso com uma fulana que ela detestava.
Resumo: Dodóra teve que ser contida por três seguranças enormes para que não cometesse um desatino ainda maior.
Gladis numa hora dessas, não servia pra nada! Todas as vezes que tentava apartar a briga, era empurrada ou tomava umas unhadas bem dadas pelos braços, cara e pescoço.
As unhas de Dodóra são maiores do que as da Alcione!
Ainda sobre os seguranças que a contiveram nesse dia, rolou um buchicho que dava conta sobre um possível romance entre Dodóra o chefe daquela equipe: Cléber!
Cléber media quase dois metros.
Segundo Gladis, tratava-se dum negão de parar o trânsito!
E a assessora ainda me disse que Dodóra não pode ver um negão bem apanhado, que fica com os ‘quatro pneus arreados’, imediatamente!
Acontece que o Cleber era casado e completamente apaixonado pela mulher.
Gladis acredita que eles chegaram a sair umas três ou quatro vezes, que transavam dentro do carro e tudo. Mas isso era segredo de estado!
E vai continuar sendo. (ou não)!
Depois de tomar um fora do Cleber, Dodóra ficou deprimida e pelo menos uns quinze shows foram cancelados. Os faniquitos da cantora oscilavam desde crises de choro incontroláveis, até pileques memoráveis, desses em que a pessoa bebe tanto a ponto de querer ficar nua no meio dos lugares.
Acabou se conformando que aquele negão não era pro biquinho dela e algum tempo depois ordenou pra sua equipe:
“- tá na hora de voltar a trabalhar! Quero ganhar mais dinheiro pra depois gastar”!
Agora, complicado mesmo, foi o relacionamento entre Dodóra e Celso.
Durou apenas sete meses e quase levou a cantora à ruína total e completa.
Ambos bebiam muito e, consequentemente, brigavam mais ainda. Brigavam tanto a ponto de se agredirem fisicamente (e em público)!
Foram incontáveis às vezes em que Dodóra apareceu com o olho roxo ou cheia de arranhões depois de alguma surra trocada com o seu amado.
O namoro subiu no telhado no dia em que os dois quebraram um restaurante inteiro, durante um coquetel sofisticado promovido pela gravadora, celebrando a vendagem recorde de um dos seus discos.
Na época, por mais que se tentasse abafar o caso, o escândalo tomou proporções dantescas.
Dodóra alegou que tudo não passou de um mal entendido e que era absolutamente normal em qualquer relacionamento, uma briguinha ou outra um tanto mais acalorada.
E se comparava a Dalva de Oliveira quando era questionada a respeito daquelas brigas todas:
“ - A Dalva de Oliveira e o Herivelto Martins rolavam na porrada o tempo todo e ninguém falava nada! Comigo, todos querem meter o bedelho”!
Em 2005, durante a festa de réveillon numa ilha particular em Angra dos Reis, Dodóra foi à principal atração da virada.
Não por causa do show, mas sim, pelo BAFÃO que aconteceu durante.
Dodóra já estava bêbada quando subiu ao palco. E no intervalo entre uma música e outra, ela virava doses homéricas de whisky numa golada só!
E deu um pití porque um grupo de milionários numa mesa ao canto, não prestava atenção nela enquanto cantava.
Mais louca do que a Maysa e a Amy Winehouse juntas, Dodóra estava trôpega ao microfone. Cambaleava de um lado pro outro como se ventasse.
Na hora de recitar poemas entre as músicas, ela esquecia as estrofes e ficava desorientada sem saber o que dizer.
Vocês lembram daquele episódio da cantora Vanusa executando o Hino Nacional durante uma solenidade pública em São Paulo?
Pois é! Dodóra fez pior!
Irritada porque esqueceu a letra no meio da música, ela xingou a plateia e atirou os sapatos numa mesa, alegando que as câmeras fotográficas estavam atrapalhando a sua concentração no palco.
Com tudo isso, Dodóra permanecia requisitada por meio mundo!
A imprensa de um modo geral; lucrava rios de dinheiro cobrindo e documentando os escândalos da artista.
Fiquei bastante feliz com a conversa que tive com Dodóra, sabe?
Apesar de todos os escândalos, devo admitir que se trata duma mulher com personalidade fortíssima!
Todos os holofotes estão voltados para essa turnê de Dodóra!
E nesse meio tempo, vamos acompanhando com bastante interesse, os conflitos, os pileques, e claro, o sucesso magnífico dessa super diva da música brasileira!
Salve Dodóra!!!
R$ 200 mil e um carro novo!
Na quarta feira, por volta das cinco da tarde, recebi uma ligação duma moça que se dizia ‘assessora pessoal’ de Elisa Laumureque Benevides.
Perguntei: "- quem"?
Ela então, me explicou melhor:
" - sou a Ana, trabalho com Elisa Laumureque e ela quer saber se você tem um horário livre, ainda esta semana, para tomar um chopp e bater um papo"!
Bom, eu não sabia o que dizer diante do tal convite!
Eu não tinha a menor ideia de que diabos era Elisa Laumureque, tão pouco que ela gostava de mim sem a gente nunca sequer ter se falado e, pasmem, queria tomar chopp comigo no entardecer da orla de Araruama.
Tá, eu disse que sim e que fosse o que Deus quisesse!
Fiquei pensando inúmeras possibilidades que justificassem esse interesse repentino da tal figura à meu respeito.
Seria algum tipo de cantada? Um convite prum emprego numa grande companhia de teatro? Um sarro? Estaria essa mulher querendo me apresentar a algum rapaz novato da cidade?
Confesso que roí minhas unhas no trajeto de casa até o quiosque combinado!
Sete e meia da noite, estava diante de Elisa Laumureque Benevides! Uma mulher bonita, de sorriso natural, cabelos soltos, bem maquiada; com uma tulipa de chopp nas mãos e um cigarro entre os dedos, e que me envolveu num abraço sincero e os típicos três beijinhos (de carioca)!
A Ana estava junto e falava ao Nextel com um rapaz chamado Julinho.
Fizemos o pedido e fiquei ali, aguardando a Sra Laumureque me dizer a razão pro nosso encontro.
Ela disse que acompanha de muito bom grado a minha trajetória no meio Cult.
Elogiou o meu gosto por cinema, minhas preferências musicais e afins.
Fiquei surpreso e ainda mais intrigado.
Na verdade, ela não queria nada demais comigo. Apenas queria me conceder uma entrevista!
A única exigência era que eu publicasse um texto a respeito do nosso bate papo.
Ela me confessou que os jornais e sites da cidade não deram a importância devida
(à sua bomba!).
Fiquei lisonjeado, claro!
E disse: " - por que não"?
Então, pedi outro chopp. Acendi um cigarro e fiquei escutando atentamente tudo o que a Sra Laumureque tinha a me dizer.
E ela não economizou no verbete:
" - eu estava prestes a me lançar como candidata à vereadora aqui em Araruama; queridinho! Nas pesquisas feitas por meios próprios, ficou confirmado que eu teria 200 votos. Fui procurada em minha casa por um candidato (colega de partido) que, imediatamente, foi abrindo o bico e revelando o (esquema)"!
O acerto era para Elisa desistir de ser candidata e apoiá-lo, ou seja, os 200 votos garantidos nas prévias não seriam suficientes para elegê-la vereadora, certo? Mas sem esses mesmos 200 votos, o candidato em questão, teria que trabalhar dobrado pra conseguir tantos eleitores. E isso, bem, seria um tanto mais complicado, eu acho!
E ela revelou:
" - então, eu topei! Desisti de ser candidata e estou apoiando esse (meu sócio)"!
E soltou uma baforada de cigarro!
Eu não piscava os olhos, tamanha era a minha perplexidade.
Se Elisa Laumureque havia topado vender a sua candidatura ao nobre colega, me restaria saber apenas uma coisa:
"por quanto? Quanto custaria essa ação tão solidária e fraternal"?
Ela pediu outro chopp e me respondeu:
" - R$ 200 mil e um carro novo"!
(o carro novo é um Land Rover freelander 2 S – avaliado em R$ 170 mil)
Eu virei a minha tulipa de chopp num gole só e sinalizei pra Ana que pra mim já era o suficiente por aquela noite!
Realmente, não estava a fim de saber de mais nada!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A ingenuidade de dona Zuleika!!!
A vida dona Zuleika e Seu Onofre é bem sossegada!
Eles moram num Haras pomposo em Itaipava, região serrana do Rio.
São ricos, aposentados por alguma estatal, tem grana aplicada até fora do Brasil e preferiram viver numa mansão suntuosa e nababesca sob o ar gélido da serra e aquela paisagem toda, super contemplativa!
Dona Zuleika ama a primavera de Itaipava! Ver as flores tomando todos os espaços, múltiplas, de todas as cores, aquele aroma especial, sendo ativado todas as vezes que o sol das manhãs de setembro, tocava nelas, era simplesmente o sétimo céu para os delírios dessa Senhora de considerável bom gosto.
Um dos maiores chamegos de dona Zuleika é o seu neto Adriano. O rapaz é um fofo! O único neto do casal. Seus pais Antero e Regina, moram em Londres e o rapaz ficou vivendo sozinho, no Rio, numa cobertura triplex na Praia do Leblon, usufruindo um padrão de vida muito elevado, com direito a viagens internacionais pela Tailândia, Chile, Amsterdã, Paris, Nova York e Londres, quando cismava de visitar os pais.
Adriano é formado em artes cênicas pela Uni Rio, ganha a vida como produtor musical num escritório de mídia, na Gávea, mas que é imensamente badalado no circuito Rio-São Paulo, então, o rapaz se dá o conforto de viver da maneira mais boêmia e divertida possível!
Com direito a festas de fim de semana memoráveis, no apart do Rio, Adriano tem aparecido com mais frequência no Haras dos avós em Itaipava.
Comentou por alto que está envolvido num projeto ambiental, de preservação e cultivo de plantas nativas e que pretendia construir uma estufa, numa área fértil, totalmente adubada a rigor, para fazer um experimento orgânico.
Dona Zuleika ficou toda serelepe com a iniciativa do neto e concedeu o espaço que ele quisesse para tocar adiante o seu projeto. Seu Onofre franziu a testa, esboçou uma leve curiosidade a respeito do que seria cultivado e depois se manteve calado, assentindo a permissão da esposa, para que o neto pudesse se dedicar a vontade aquilo que pretendia.
Duas semanas depois, tudo pronto para que as sementes fossem enfim, depositadas no solo. Neste dia, Adriano reuniu meia dúzia de amigos e fez um churrasco no terraço da mansão da avó, comemorando o êxito do plantio.
Agora era só irrigar e acompanhar o desenvolvimento natural, tomando, é claro, todas as precauções para que nada saísse dos eixos, quero dizer, da estufa!
Três meses se passaram e o visual naquele trecho do terreno estava impressionante! A plantação seguia desenvolta, frondosa, verde, múltiplas, muito saudáveis.
A luz do sol das manhãs e dos entardeceres são essenciais para que de um dia pro outro, já se note considerável mudança no crescimento dos troncos e folhagens.
Dona Zuleika estava saltitante pela forma exuberante como a plantação incrementava a paisagem de seu valorizado terreno. Reunida com suas amigas Salete, Adelaide, Terezinha, tia Lourdes e Mirtes, uma solteirona convicta, dona Zuleika passa as tardes de terça, quinta e sábado, se deleitando com o tradicional Chá das Amigas!
Elas tomam chás variados, saboreiam guloseimas caseiras, pão de queijo mineiro e catupiry e muito bate papo. Às vezes, elas tomam vinho, ou um bom conhaque, chegando ocasionalmente, a saborearem aquele licorzinho de carambola, sensacional.
Seu Onofre sempre fica irritado com o falatório das mulheres e se tranca no escritório pra jogar palavras cruzadas!
O assunto mais comentado nas sabatinas de chás promovidas por dona Zuleika é:
o matagal do Adriano!
As jovens senhoras estavam febris com o crescimento e multiplicação dos arbustos. Atribuíam o sucesso da plantação, à dedicação total que Adriano demonstrara em adubar e irrigar cada cantinho da área necessária para que as folhagens ficassem exatamente como estão: exuberantes!
Outro dia dona Zuleika ligou pra Adelaide e contou para a amiga que tem sido, de fato, muito difícil, conseguir caminhar pelo meio da plantação. Só é possível andar no matagal da dita cuja, levando uma foice ou uma catana, que era pra se desvencilhar dos galhos mais espalhafatosos.
Seu Onofre fica tão irritado com a forma como aquele arvoredo se multiplicou, que ultimamente, sequer tem dado as caras pelo quintal. Mas há quem garanta ter visto o pacato senhor, à noite, com uma lanterna nas mãos, esmiuçando garimpos lá pelo meio das folhagens, sabia?
Mas isso é considerado um tabu, se levarmos em consideração, os princípios rígidos, pelos quais Seu Onofre fora criado!
Enfim, mistérios da meia noite!
Tia Lourdes observou que, ultimamente, basta chegar quinta feira, que rola uma confraria de rapazes bem apanhados, no terraço da mansão de dona Zuleika!
Adriano aterrissa por lá com uma trupe de amigos. Vai sempre o Gabriel, o Felipe, o Léo, o Will, o Lucas, Bernardo e também o Edu.
E segundo se sabe, nesses dias, dona Zuleika e Seu Onofre, pouco dormem!
A rapaziada compra carvão, cerveja, vodka e frutas vermelhas, bastante picanha, drumet’s de frango, linguicinha de pernil e armam um baita churrasco!
A animação intermedia entre o silêncio absoluto, como se todos estivessem entocados no loft, e posteriormente, uma risadaria e um alarido constante, com direito a partidas de sinuca, zoação, rodadas de bebida, e claro; um mergulho na imensa piscina que ostenta naquele terraço.
É muita churrascada. O cheiro de picanha sendo queimada na churrasqueira empesteia o ar, provocando fomes incontroláveis pelos arredores!
Enquanto isso, os rapazes se refestelam do bom e do melhor, saboreiam drink’s incríveis e não ficam meia hora sequer sem reabastecer os seus copos de cerveja!
É muita fartura naquele lugar!
Dá-se o caso, que segundo a contabilidade arcaica de Seu Onofre, são queimados por cada final de semana, pelo menos uns dez quilos de picanha e mais outros cinco dos complementos (frango e lingüiça de pernil).
Dona Abigail, a vizinha antipática de dona Zuleika, não tem tirado a cara da janela, fiscalizando de camarote, o entra e sai naquele terraço, os festejos pela madrugada, as entradas furtivas dos rapazes pelo meio da plantação.
Curiosa, se soube que ela andou especulando pela vizinhança que a mansão de dona Zuleika, havia se transformando numa extensão de algum quartel, porque os rapazes que frequentavam o ambiente; eram de grande porte físico, o que provavelmente, deve ter deixado a velha intrigueira com um fogo suspeito por debaixo!
Adriano deveria ter tomado mais cautela, pelo fato, de ter uma mulher amargurada feito Abigail, como vizinha, né não?
A velha deixou escapar que observou a plenas quatro horas da tarde, Adriano, Felipe, Will e Léo, dentro do matagal, com um vasilhame nas mãos, garimpando alguma coisa com muita dedicação e concentração na parte seletiva daquilo que serviria primeiro.
Dona Abigail, durante algum tempo, frequentou assiduamente à mansão de dona Zuleika. Eram bastante amigas, até o dia em surgiu um boato nos bastidores, que dona Zuleika na verdade era bilionária e não apenas, milionária, como diziam.
E que inclusive, a fortuna já ultrapassara os R$ 3 bilhões.
Dona Zuleika ficou super furiosa, na época, e tratou de tomar satisfações com Abigail.
As duas discutiram tão feio que Zuleika quase esfregou o extrato bancário que havia retirado no HSBC Premiére, no meio da cara de Abigail. Dali por diante, houve uma ruptura na relação entre as senhoras, afastando as a ponto de nem se cumprimentarem na maioria das vezes em que se esbarravam pela cidade.
Há quem garanta que Abigail tomou uma rixa tremenda por Zuleika! Parece que só aguarda o momento certo para dar uma rasteira bem passada na vizinha endinheirada!
Cascavel, essa Abigail!
Dias atrás, dona Zuleika resolveu inovar a sua tarde de chás!
Foi até o matagal, usou a catana para abrir caminho, colheu várias folhas bem felpudas daquela exuberante planta, alguns cachos com sementes, tão fartas, parecendo um desabrochar de orquídeas e preparou um caldeirão de chá.
A bebida seria servida com os tradicionais pãezinhos de queijo e bolo de laranja bem fresquinhos.
O aroma que as ervas exalavam enquanto ferviam, era no mínimo, intenso à beça!
Terezinha e Mirtes ficaram curiosas com a bebida e disseram afoitas:
“- quero experimentar um golinho”!
Mirtes, no entanto, estava ressabiada! Tinha medo de o chá ser afrodisíaco e atacar a sua libido, o que seria uma tragédia, uma vez que se tratava duma solteirona convicta e inveterada.
E as senhoras se reuniram! Tia Lourdes caprichou em sua xícara! Dona Salete reclamou do gosto amargo! Terezinha adorou, já estava sorvendo a segunda rodada! Adelaide e dona Zuleika saboreavam o chá com entusiasmo.
Mirtes acabou bebendo tudo num gole só!
Todas acabaram não resistindo e bebendo mais uma xícara!
Batiam papo descontraídas, quando; de repente, Terezinha começou a rir!
Tia Lourdes não se conteve, começou a gargalhar feito uma hiena.
Dona Zuleika reclamou da demora pros pãezinhos atingirem o ponto de degustação. Mirtes estava inquieta, reclamando do calor, querendo, inclusive, ficar apenas de calcinha e sutiã no meio da sala.
Cada vez mais esfamaiada, dona Zuleika não resistiu e atacou duas lascas de pernil que acabara de sair do forno! Não resistiu aos restos de rabada com agrião e quando deu por si, comia mortadela com pão integral como se fosse uma adolescente!
Salete tentava fazer uma flanelinha com técnicas de Ponto e Cruz, mas a todo instante, deixava a agulha cair e começava novamente outra sessão de incontroláveis gargalhadas!
Elas já conseguiam admitir: 'algum componente naquele chá era forte o bastante para deixa-las com múltiplas personalidades'.
Quitando a comilança, dona Zuleika fez questão de registrar recordes: depois da sessão mortadela, vieram os doces: duas tigelas de sorvetes de flocos com passas ao rum, outra tigela farta de açaí com granola, banana e calda de mel; quatro picolés ‘Magnum da Kibon’; meia dúzia de quindins, uma fatia de cuscus de tapioca com côco, recheada com leite condensado e mergulhada no côco ralado e pra arrematar aquilo tudo – uma fatia de mamão papaia!
Mirtes estava numa ducha gelada à meia hora.
Nem assim, sentia que o seu facho diminuía.
Salete e Terezinha jogavam carteado na sala.
Dona Zuleika estava simplesmente desorientada pelo meio da casa.
Não dizia coisa com coisa, rodopiava, se esquecia das letras no meio das músicas, enfim, estava completamente confusa, tresloucada e chique, a bela senhora de fino garbo de Itaipava.
Seu Onofre estava de ovo virado por causa do chá das Senhoras!
E Abigail concluiu que chegou o momento de se vingar.
A felicidade de dona Zuleika e aquelas amigas dela; estava indo longe demais!
Ligou pra polícia e disse:
"- Oi, aqui é Abigail, quero fazer uma denúncia!
A milionária Zuleika Munhoz cultiva maconha em seu Haras em Itaipava.
Gostaria que a minha ligação ficasse em sigilo, delegado Xavier, obrigada"!
Semana passada, nem bem o sol se punha, e as senhoras estavam saboreando mais uma rodada daquele chá fabuloso, quando o Sargento da PM, Baltazar de Almeida, empurrou o pé na porta principal da mansão de Zuleika!
Aos berros sentenciava:
“ – a casa caiu, malandragem”!
Dona Zuleika estava selecionando algumas coisas pra comer, quando teve a casa invadida. Não conseguia completar as frases, gritava, andava de um lado pro outro, pedia água, tossia, e dizia o tempo todo:
“ – isso não pode ser verdade”!
Dona Zuleika estava aos prantos. Não escondia a tristeza e profunda decepção pela conduta do neto Adriano. Chorava copiosamente e jurava por todos os santos e Orixás, que não sabia que a plantação vistosa e verdejante cultivada em seu haras com todo afinco e dedicação, na verdade, não passava dum roçado de maconha.
O Sargento da PM, Baltazar de Almeida, foi categórico em sua acusação:
“ – a senhora, dona Zuleika, não passa de uma VELHA SAFADA, isso sim, passou esse tempo todo acobertando e usufruindo das atividades ilícitas praticadas pelo seu neto maloqueiro e criminoso e agora, que eu disse que a casa caiu, a senhora vem com essa desculpa esfarrapada de que não estava sabendo de nada”?
O tempo fechou totalmente!
Seu Onofre ficou furioso com a forma com que o policial interpelou a sua senhora. Não hesitou um segundo; ergueu o dedo indicador na cara do Sargento e o chamou de moleque!
A confusão foi imediata!
Baltazar queria levar Seu Onofre preso por desacato à autoridade e associação ao tráfico de entorpecentes, porém, o próprio Onofre se manifestou favorável a procurar o delegado Xavier, velho amigo e resolveu essa pendenga de uma vez por todas!
O delegado Xavier recebeu dona Zuleika e Seu Onofre em seu escritório.
Dona Zuleika estava alucinada. Compadres, ele e Seu Onofre começaram a pontuar as arestas da situação.
O delegado tinha certeza da inocência de Zuleika. Sabia que sendo ela, uma refinada mulher, sequer tinha consciência sobre as dualidades intransponíveis do submundo.
Quanto a Seu Onofre, foi um pouco mais atribulada a conversa.
Ele sabia do que se tratava. Sabia que o neto Adriano não estava bem intencionado, e, no entanto, preferiu ficar calado, dando uma de sonso, só pra ir se fartar durante a noite, de todas aquelas benesses colhidas ali ao bel prazer!
O delegado Xavier arquivou o inquérito em consideração ao meio século de amizade. Mas indiciou Adriano Munhoz por associação ao tráfico e também por formação de quadrilha!
Liberados, Seu Onofre e dona Zuleika, voltavam pro haras de carro.
Passaram em frente à chácara de Abigail e ela estava na janela. Dona Zuleika pediu que Onofre parasse o carro.
Desceu e disse em bom som:
"- sua cadela velha, um dia você há de me pagar muito caro"!
Abigail respondeu: "- a justiça foi feita, MINHA QUERIDA"!
Indignada, dona Zuleika andava pela sala de estar, lembrando a alegria que Abigail sentiu contemplando o seu sofrimento.
Trêmula, foi até ao bar room e se serviu de wisky.
Depois, disse entre os dentes:
“ – Abigail, sua filha da puta!
Viverei pelo dia em que te deixarei moída de tanta porrada”!
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