sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A ingenuidade de dona Zuleika!!!


A vida dona Zuleika e Seu Onofre é bem sossegada!
Eles moram num Haras pomposo em Itaipava, região serrana do Rio.
São ricos, aposentados por alguma estatal, tem grana aplicada até fora do Brasil e preferiram viver numa mansão suntuosa e nababesca sob o ar gélido da serra e aquela paisagem toda, super contemplativa!

Dona Zuleika ama a primavera de Itaipava! Ver as flores tomando todos os espaços, múltiplas, de todas as cores, aquele aroma especial, sendo ativado todas as vezes que o sol das manhãs de setembro, tocava nelas, era simplesmente o sétimo céu para os delírios dessa Senhora de considerável bom gosto.

Um dos maiores chamegos de dona Zuleika é o seu neto Adriano. O rapaz é um fofo! O único neto do casal. Seus pais Antero e Regina, moram em Londres e o rapaz ficou vivendo sozinho, no Rio, numa cobertura triplex na Praia do Leblon, usufruindo um padrão de vida muito elevado, com direito a viagens internacionais pela Tailândia, Chile, Amsterdã, Paris, Nova York e Londres, quando cismava de visitar os pais.

Adriano é formado em artes cênicas pela Uni Rio, ganha a vida como produtor musical num escritório de mídia, na Gávea, mas que é imensamente badalado no circuito Rio-São Paulo, então, o rapaz se dá o conforto de viver da maneira mais boêmia e divertida possível!

Com direito a festas de fim de semana memoráveis, no apart do Rio, Adriano tem aparecido com mais frequência no Haras dos avós em Itaipava.
Comentou por alto que está envolvido num projeto ambiental, de preservação e cultivo de plantas nativas e que pretendia construir uma estufa, numa área fértil, totalmente adubada a rigor, para fazer um experimento orgânico.

Dona Zuleika ficou toda serelepe com a iniciativa do neto e concedeu o espaço que ele quisesse para tocar adiante o seu projeto. Seu Onofre franziu a testa, esboçou uma leve curiosidade a respeito do que seria cultivado e depois se manteve calado, assentindo a permissão da esposa, para que o neto pudesse se dedicar a vontade aquilo que pretendia.

Duas semanas depois, tudo pronto para que as sementes fossem enfim, depositadas no solo. Neste dia, Adriano reuniu meia dúzia de amigos e fez um churrasco no terraço da mansão da avó, comemorando o êxito do plantio.
Agora era só irrigar e acompanhar o desenvolvimento natural, tomando, é claro, todas as precauções para que nada saísse dos eixos, quero dizer, da estufa!

Três meses se passaram e o visual naquele trecho do terreno estava impressionante! A plantação seguia desenvolta, frondosa, verde, múltiplas, muito saudáveis.
A luz do sol das manhãs e dos entardeceres são essenciais para que de um dia pro outro, já se note considerável mudança no crescimento dos troncos e folhagens.

Dona Zuleika estava saltitante pela forma exuberante como a plantação incrementava a paisagem de seu valorizado terreno. Reunida com suas amigas Salete, Adelaide, Terezinha, tia Lourdes e Mirtes, uma solteirona convicta, dona Zuleika passa as tardes de terça, quinta e sábado, se deleitando com o tradicional Chá das Amigas!

Elas tomam chás variados, saboreiam guloseimas caseiras, pão de queijo mineiro e catupiry e muito bate papo. Às vezes, elas tomam vinho, ou um bom conhaque, chegando ocasionalmente, a saborearem aquele licorzinho de carambola, sensacional.

Seu Onofre sempre fica irritado com o falatório das mulheres e se tranca no escritório pra jogar palavras cruzadas!

O assunto mais comentado nas sabatinas de chás promovidas por dona Zuleika é:
o matagal do Adriano!
As jovens senhoras estavam febris com o crescimento e multiplicação dos arbustos. Atribuíam o sucesso da plantação, à dedicação total que Adriano demonstrara em adubar e irrigar cada cantinho da área necessária para que as folhagens ficassem exatamente como estão: exuberantes!

Outro dia dona Zuleika ligou pra Adelaide e contou para a amiga que tem sido, de fato, muito difícil, conseguir caminhar pelo meio da plantação. Só é possível andar no matagal da dita cuja, levando uma foice ou uma catana, que era pra se desvencilhar dos galhos mais espalhafatosos.

Seu Onofre fica tão irritado com a forma como aquele arvoredo se multiplicou, que ultimamente, sequer tem dado as caras pelo quintal. Mas há quem garanta ter visto o pacato senhor, à noite, com uma lanterna nas mãos, esmiuçando garimpos lá pelo meio das folhagens, sabia?
Mas isso é considerado um tabu, se levarmos em consideração, os princípios rígidos, pelos quais Seu Onofre fora criado!
Enfim, mistérios da meia noite!

Tia Lourdes observou que, ultimamente, basta chegar quinta feira, que rola uma confraria de rapazes bem apanhados, no terraço da mansão de dona Zuleika!
Adriano aterrissa por lá com uma trupe de amigos. Vai sempre o Gabriel, o Felipe, o Léo, o Will, o Lucas, Bernardo e também o Edu.
E segundo se sabe, nesses dias, dona Zuleika e Seu Onofre, pouco dormem!

A rapaziada compra carvão, cerveja, vodka e frutas vermelhas, bastante picanha, drumet’s de frango, linguicinha de pernil e armam um baita churrasco!
A animação intermedia entre o silêncio absoluto, como se todos estivessem entocados no loft, e posteriormente, uma risadaria e um alarido constante, com direito a partidas de sinuca, zoação, rodadas de bebida, e claro; um mergulho na imensa piscina que ostenta naquele terraço.

É muita churrascada. O cheiro de picanha sendo queimada na churrasqueira empesteia o ar, provocando fomes incontroláveis pelos arredores!
Enquanto isso, os rapazes se refestelam do bom e do melhor, saboreiam drink’s incríveis e não ficam meia hora sequer sem reabastecer os seus copos de cerveja!

É muita fartura naquele lugar!

Dá-se o caso, que segundo a contabilidade arcaica de Seu Onofre, são queimados por cada final de semana, pelo menos uns dez quilos de picanha e mais outros cinco dos complementos (frango e lingüiça de pernil).

Dona Abigail, a vizinha antipática de dona Zuleika, não tem tirado a cara da janela, fiscalizando de camarote, o entra e sai naquele terraço, os festejos pela madrugada, as entradas furtivas dos rapazes pelo meio da plantação.
Curiosa, se soube que ela andou especulando pela vizinhança que a mansão de dona Zuleika, havia se transformando numa extensão de algum quartel, porque os rapazes que frequentavam o ambiente; eram de grande porte físico, o que provavelmente, deve ter deixado a velha intrigueira com um fogo suspeito por debaixo!

Adriano deveria ter tomado mais cautela, pelo fato, de ter uma mulher amargurada feito Abigail, como vizinha, né não?

A velha deixou escapar que observou a plenas quatro horas da tarde, Adriano, Felipe, Will e Léo, dentro do matagal, com um vasilhame nas mãos, garimpando alguma coisa com muita dedicação e concentração na parte seletiva daquilo que serviria primeiro.

Dona Abigail, durante algum tempo, frequentou assiduamente à mansão de dona Zuleika. Eram bastante amigas, até o dia em surgiu um boato nos bastidores, que dona Zuleika na verdade era bilionária e não apenas, milionária, como diziam.
E que inclusive, a fortuna já ultrapassara os R$ 3 bilhões.
Dona Zuleika ficou super furiosa, na época, e tratou de tomar satisfações com Abigail.

As duas discutiram tão feio que Zuleika quase esfregou o extrato bancário que havia retirado no HSBC Premiére, no meio da cara de Abigail. Dali por diante, houve uma ruptura na relação entre as senhoras, afastando as a ponto de nem se cumprimentarem na maioria das vezes em que se esbarravam pela cidade.

Há quem garanta que Abigail tomou uma rixa tremenda por Zuleika! Parece que só aguarda o momento certo para dar uma rasteira bem passada na vizinha endinheirada!

Cascavel, essa Abigail!

Dias atrás, dona Zuleika resolveu inovar a sua tarde de chás!
Foi até o matagal, usou a catana para abrir caminho, colheu várias folhas bem felpudas daquela exuberante planta, alguns cachos com sementes, tão fartas, parecendo um desabrochar de orquídeas e preparou um caldeirão de chá.

A bebida seria servida com os tradicionais pãezinhos de queijo e bolo de laranja bem fresquinhos.

O aroma que as ervas exalavam enquanto ferviam, era no mínimo, intenso à beça!

Terezinha e Mirtes ficaram curiosas com a bebida e disseram afoitas:

“- quero experimentar um golinho”!

Mirtes, no entanto, estava ressabiada! Tinha medo de o chá ser afrodisíaco e atacar a sua libido, o que seria uma tragédia, uma vez que se tratava duma solteirona convicta e inveterada.

E as senhoras se reuniram! Tia Lourdes caprichou em sua xícara! Dona Salete reclamou do gosto amargo! Terezinha adorou, já estava sorvendo a segunda rodada! Adelaide e dona Zuleika saboreavam o chá com entusiasmo.
Mirtes acabou bebendo tudo num gole só!

Todas acabaram não resistindo e bebendo mais uma xícara!
Batiam papo descontraídas, quando; de repente, Terezinha começou a rir!
Tia Lourdes não se conteve, começou a gargalhar feito uma hiena.
Dona Zuleika reclamou da demora pros pãezinhos atingirem o ponto de degustação. Mirtes estava inquieta, reclamando do calor, querendo, inclusive, ficar apenas de calcinha e sutiã no meio da sala.

Cada vez mais esfamaiada, dona Zuleika não resistiu e atacou duas lascas de pernil que acabara de sair do forno! Não resistiu aos restos de rabada com agrião e quando deu por si, comia mortadela com pão integral como se fosse uma adolescente!

Salete tentava fazer uma flanelinha com técnicas de Ponto e Cruz, mas a todo instante, deixava a agulha cair e começava novamente outra sessão de incontroláveis gargalhadas!
Elas já conseguiam admitir: 'algum componente naquele chá era forte o bastante para deixa-las com múltiplas personalidades'.

Quitando a comilança, dona Zuleika fez questão de registrar recordes: depois da sessão mortadela, vieram os doces: duas tigelas de sorvetes de flocos com passas ao rum, outra tigela farta de açaí com granola, banana e calda de mel; quatro picolés ‘Magnum da Kibon’; meia dúzia de quindins, uma fatia de cuscus de tapioca com côco, recheada com leite condensado e mergulhada no côco ralado e pra arrematar aquilo tudo – uma fatia de mamão papaia!

Mirtes estava numa ducha gelada à meia hora.
Nem assim, sentia que o seu facho diminuía.

Salete e Terezinha jogavam carteado na sala.
Dona Zuleika estava simplesmente desorientada pelo meio da casa.
Não dizia coisa com coisa, rodopiava, se esquecia das letras no meio das músicas, enfim, estava completamente confusa, tresloucada e chique, a bela senhora de fino garbo de Itaipava.

Seu Onofre estava de ovo virado por causa do chá das Senhoras!

E Abigail concluiu que chegou o momento de se vingar.
A felicidade de dona Zuleika e aquelas amigas dela; estava indo longe demais!
Ligou pra polícia e disse:

"- Oi, aqui é Abigail, quero fazer uma denúncia!
A milionária Zuleika Munhoz cultiva maconha em seu Haras em Itaipava.
Gostaria que a minha ligação ficasse em sigilo, delegado Xavier, obrigada"!

Semana passada, nem bem o sol se punha, e as senhoras estavam saboreando mais uma rodada daquele chá fabuloso, quando o Sargento da PM, Baltazar de Almeida, empurrou o pé na porta principal da mansão de Zuleika!
Aos berros sentenciava:

“ – a casa caiu, malandragem”!

Dona Zuleika estava selecionando algumas coisas pra comer, quando teve a casa invadida. Não conseguia completar as frases, gritava, andava de um lado pro outro, pedia água, tossia, e dizia o tempo todo:

“ – isso não pode ser verdade”!

Dona Zuleika estava aos prantos. Não escondia a tristeza e profunda decepção pela conduta do neto Adriano. Chorava copiosamente e jurava por todos os santos e Orixás, que não sabia que a plantação vistosa e verdejante cultivada em seu haras com todo afinco e dedicação, na verdade, não passava dum roçado de maconha.

O Sargento da PM, Baltazar de Almeida, foi categórico em sua acusação:

“ – a senhora, dona Zuleika, não passa de uma VELHA SAFADA, isso sim, passou esse tempo todo acobertando e usufruindo das atividades ilícitas praticadas pelo seu neto maloqueiro e criminoso e agora, que eu disse que a casa caiu, a senhora vem com essa desculpa esfarrapada de que não estava sabendo de nada”?

O tempo fechou totalmente!
Seu Onofre ficou furioso com a forma com que o policial interpelou a sua senhora. Não hesitou um segundo; ergueu o dedo indicador na cara do Sargento e o chamou de moleque!
A confusão foi imediata!
Baltazar queria levar Seu Onofre preso por desacato à autoridade e associação ao tráfico de entorpecentes, porém, o próprio Onofre se manifestou favorável a procurar o delegado Xavier, velho amigo e resolveu essa pendenga de uma vez por todas!

O delegado Xavier recebeu dona Zuleika e Seu Onofre em seu escritório.
Dona Zuleika estava alucinada. Compadres, ele e Seu Onofre começaram a pontuar as arestas da situação.
O delegado tinha certeza da inocência de Zuleika. Sabia que sendo ela, uma refinada mulher, sequer tinha consciência sobre as dualidades intransponíveis do submundo.

Quanto a Seu Onofre, foi um pouco mais atribulada a conversa.
Ele sabia do que se tratava. Sabia que o neto Adriano não estava bem intencionado, e, no entanto, preferiu ficar calado, dando uma de sonso, só pra ir se fartar durante a noite, de todas aquelas benesses colhidas ali ao bel prazer!

O delegado Xavier arquivou o inquérito em consideração ao meio século de amizade. Mas indiciou Adriano Munhoz por associação ao tráfico e também por formação de quadrilha!

Liberados, Seu Onofre e dona Zuleika, voltavam pro haras de carro.
Passaram em frente à chácara de Abigail e ela estava na janela. Dona Zuleika pediu que Onofre parasse o carro.
Desceu e disse em bom som:

"- sua cadela velha, um dia você há de me pagar muito caro"!

Abigail respondeu: "- a justiça foi feita, MINHA QUERIDA"!

Indignada, dona Zuleika andava pela sala de estar, lembrando a alegria que Abigail sentiu contemplando o seu sofrimento.
Trêmula, foi até ao bar room e se serviu de wisky.
Depois, disse entre os dentes:

“ – Abigail, sua filha da puta!
Viverei pelo dia em que te deixarei moída de tanta porrada”!
A ingenuidade de dona Zuleika!

A vida dona Zuleika e Seu Onofre é bem sossegada! 
Eles moram um Haras pomposo em Itaipava, região serrana do Rio. 
São ricos, aposentados por alguma estatal, tem grana aplicada até fora do Brasil e preferiram viver numa mansão suntuosa e nababesca sob o ar gélido da serra e aquela paisagem toda, super contemplativa! 

Dona Zuleika ama a primavera de Itaipava! Ver as flores tomando todos os espaços, múltiplas, de todas as cores, aquele aroma especial, sendo ativado todas as vezes que o sol das manhãs de setembro, tocava nelas, era simplesmente o sétimo céu para os delírios dessa Senhora de considerável bom gosto.

Um dos maiores chamegos de dona Zuleika é o seu neto Adriano. O rapaz é um fofo! O único neto do casal. Seus pais Antero e Regina, moram em Londres e o rapaz ficou vivendo sozinho, no Rio, numa cobertura triplex na Praia do Leblon, usufruindo um padrão de vida muito elevado, com direito a viagens internacionais pela Tailândia, Chile, Amsterdã, Paris, Nova York e Londres, quando cismava de visitar os pais.

Adriano é formado em artes cênicas pela Uni Rio, ganha a vida como produtor musical num escritório de mídia, na Gávea, mas que é imensamente badalado no circuito Rio-São Paulo, então, o rapaz se dá o conforto de viver da maneira mais boêmia e divertida possível!

Com direito a festas de fim de semana memoráveis, no apart do Rio, Adriano tem aparecido com mais frequência no Haras dos avós em Itaipava. 
Comentou por alto que está envolvido num projeto ambiental, de preservação e cultivo de plantas nativas e que pretendia construir uma estufa, numa área fértil, totalmente adubada a rigor, para fazer um experimento orgânico.

Dona Zuleika ficou toda serelepe com a iniciativa do neto e concedeu o espaço que ele quisesse para tocar adiante o seu projeto. Seu Onofre franziu a testa, esboçou uma leve curiosidade a respeito do que seria cultivado e depois se manteve calado, assentindo a permissão da esposa, para que o neto pudesse se dedicar a vontade aquilo que pretendia.

Duas semanas depois, tudo pronto para que as sementes fossem enfim, depositadas no solo. Neste dia, Adriano reuniu meia dúzia de amigos e fez um churrasco no terraço da mansão da avó, comemorando o êxito do plantio. 
Agora era só irrigar e acompanhar o desenvolvimento natural, tomando, é claro, todas as precauções para que nada saísse dos eixos, quero dizer, da estufa!

Três meses se passaram e o visual naquele trecho do terreno estava impressionante! A plantação seguia desenvolta, frondosa, verde, múltiplas, muito saudáveis. 
A luz do sol das manhãs e dos entardeceres são essenciais para que de um dia pro outro, já se note considerável mudança no crescimento dos troncos e folhagens.

Dona Zuleika estava saltitante pela forma exuberante como a plantação incrementava a paisagem de seu valorizado terreno. Reunida com suas amigas Salete, Adelaide, Terezinha, tia Lourdes e Mirtes, uma solteirona convicta, dona Zuleika passa as tardes de terça, quinta e sábado, se deleitando com o tradicional Chá das Amigas!

Elas tomam chás variados, saboreiam guloseimas caseiras, pão de queijo mineiro e catupiry e muito bate papo. Às vezes, elas tomam vinho, ou um bom conhaque, chegando ocasionalmente, a saborearem aquele licorzinho de carambola, sensacional.

Seu Onofre sempre fica irritado com o falatório das mulheres e se tranca no escritório pra jogar palavras cruzadas!

O assunto mais comentado nas sabatinas de chás promovidas por dona Zuleika é: 
o matagal do Adriano! 
As jovens senhoras estavam febris com o crescimento e multiplicação dos arbustos. Atribuíam o sucesso da plantação, à dedicação total que Adriano demonstrara em adubar e irrigar cada cantinho da área necessária para que as folhagens ficassem exatamente como estão: exuberantes!

Outro dia dona Zuleika ligou pra Adelaide e contou para a amiga que tem sido, de fato, muito difícil, conseguir caminhar pelo meio da plantação. Só é possível andar no matagal da dita cuja, levando uma foice ou uma catana, que era pra se desvencilhar dos galhos mais espalhafatosos.

Seu Onofre fica tão irritado com a forma como aquele arvoredo se multiplicou, que ultimamente, sequer tem dado as caras pelo quintal. Mas há quem garanta ter visto o pacato senhor, à noite, com uma lanterna nas mãos, esmiuçando garimpos lá pelo meio das folhagens, sabia? 
Mas isso é considerado um tabu, se levarmos em consideração, os princípios rígidos, pelos quais Seu Onofre fora criado!
Enfim, mistérios da meia noite!

Tia Lourdes observou que, ultimamente, basta chegar quinta feira, que rola uma confraria de rapazes bem apanhados, no terraço da mansão de dona Zuleika! 
Adriano aterrissa por lá com uma trupe de amigos. Vai sempre o Gabriel, o Felipe, o Léo, o Will, o Lucas, Bernardo e também o Edu. 
E segundo se sabe, nesses dias, dona Zuleika e Seu Onofre, pouco dormem!

A rapaziada compra carvão, cerveja, vodka e frutas vermelhas, bastante picanha, drumet’s de frango, linguicinha de pernil e armam um baita churrasco! 
A animação intermedia entre o silêncio absoluto, como se todos estivessem entocados no loft, e posteriormente, uma risadaria e um alarido constante, com direito a partidas de sinuca, zoação, rodadas de bebida, e claro; um mergulho na imensa piscina que ostenta naquele terraço.

É muita churrascada. O cheiro de picanha sendo queimada na churrasqueira empesteia o ar, provocando fomes incontroláveis pelos arredores! 
Enquanto isso, os rapazes se refestelam do bom e do melhor, saboreiam drink’s incríveis e não ficam meia hora sequer sem reabastecer os seus copos de cerveja! 

É muita fartura naquele lugar! 

Dá-se o caso, que segundo a contabilidade arcaica de Seu Onofre, são queimados por cada final de semana, pelo menos uns dez quilos de picanha e mais outros cinco dos complementos (frango e lingüiça de pernil).

Dona Abigail, a vizinha antipática de dona Zuleika, não tem tirado a cara da janela, fiscalizando de camarote, o entra e sai naquele terraço, os festejos pela madrugada, as entradas furtivas dos rapazes pelo meio da plantação. 
Curiosa, se soube que ela andou especulando pela vizinhança que a mansão de dona Zuleika, havia se transformando numa extensão de algum quartel, porque os rapazes que frequentavam o ambiente; eram de grande porte físico, o que provavelmente, deve ter deixado a velha intrigueira com um fogo suspeito por debaixo!

Adriano deveria ter tomado mais cautela, pelo fato, de ter uma mulher amargurada feito Abigail, como vizinha, né não?

A velha deixou escapar que observou a plenas quatro horas da tarde, Adriano, Felipe, Will e Léo, dentro do matagal, com um vasilhame nas mãos, garimpando alguma coisa com muita dedicação e concentração na parte seletiva daquilo que serviria primeiro.

Dona Abigail, durante algum tempo, frequentou assiduamente à mansão de dona Zuleika. Eram bastante amigas, até o dia em surgiu um boato nos bastidores, que dona Zuleika na verdade era bilionária e não apenas, milionária, como diziam. 
E que inclusive, a fortuna já ultrapassara os R$ 3 bilhões. 
Dona Zuleika ficou super furiosa, na época, e tratou de tomar satisfações com Abigail.

As duas discutiram tão feio que Zuleika quase esfregou o extrato bancário que havia retirado no HSBC Premiére, no meio da cara de Abigail. Dali por diante, houve uma ruptura na relação entre as senhoras, afastando as a ponto de nem se cumprimentarem na maioria das vezes em que se esbarravam pela cidade.

Há quem garanta que Abigail tomou uma rixa tremenda por Zuleika! Parece que só aguarda o momento certo para dar uma rasteira bem passada na vizinha endinheirada! 

Cascavel, essa Abigail!

Dias atrás, dona Zuleika resolveu inovar a sua tarde de chás! 
Foi até o matagal, usou a catana para abrir caminho, colheu várias folhas bem felpudas daquela exuberante planta, alguns cachos com sementes, tão fartas, parecendo um desabrochar de orquídeas e preparou um caldeirão de chá. 

A bebida seria servida com os tradicionais pãezinhos de queijo e bolo de laranja bem fresquinhos.

O aroma que as ervas exalavam enquanto ferviam, era no mínimo, intenso à beça!

Terezinha e Mirtes ficaram curiosas com a bebida e disseram afoitas: 

“- quero experimentar um golinho”!

Mirtes, no entanto, estava ressabiada! Tinha medo de o chá ser afrodisíaco e atacar a sua libido, o que seria uma tragédia, uma vez que se tratava duma solteirona convicta e inveterada.

E as senhoras se reuniram! Tia Lourdes caprichou em sua xícara! Dona Salete reclamou do gosto amargo! Terezinha adorou, já estava sorvendo a segunda rodada! Adelaide e dona Zuleika saboreavam o chá com entusiasmo. 
Mirtes acabou bebendo tudo num gole só!

Todas acabaram não resistindo e bebendo mais uma xícara! 
Batiam papo descontraídas, quando; de repente, Terezinha começou a rir! 
Tia Lourdes não se conteve, começou a gargalhar feito uma hiena. 
Dona Zuleika reclamou da demora pros pãezinhos atingirem o ponto de degustação. Mirtes estava inquieta, reclamando do calor, querendo, inclusive, ficar apenas de calcinha e sutiã no meio da sala.

Cada vez mais esfamaiada, dona Zuleika não resistiu e atacou duas lascas de pernil que acabara de sair do forno! Não resistiu aos restos de rabada com agrião e quando deu por si, comia mortadela com pão integral como se fosse uma adolescente! 

Salete tentava fazer uma flanelinha com técnicas de Ponto e Cruz, mas a todo instante, deixava a agulha cair e começava novamente outra sessão de incontroláveis gargalhadas! 
Elas já conseguiam admitir: 'algum componente naquele chá era forte o bastante para deixa-las com múltiplas personalidades'. 

Quitando a comilança, dona Zuleika fez questão de registrar recordes: depois da sessão mortadela, vieram os doces: duas tigelas de sorvetes de flocos com passas ao rum, outra tigela farta de açaí com granola, banana e calda de mel; quatro picolés ‘Magnum da Kibon’; meia dúzia de quindins, uma fatia de cuscus de tapioca com côco, recheada com leite condensado e mergulhada no côco ralado e pra arrematar aquilo tudo – uma fatia de mamão papaia! 

Mirtes estava numa ducha gelada à meia hora. 
Nem assim, sentia que o seu facho diminuía.

Salete e Terezinha jogavam carteado na sala. 
Dona Zuleika estava simplesmente desorientada pelo meio da casa. 
Não dizia coisa com coisa, rodopiava, se esquecia das letras no meio das músicas, enfim, estava completamente confusa, tresloucada e chique, a bela senhora de fino garbo de Itaipava. 

Seu Onofre estava de ovo virado por causa do chá das Senhoras!

E Abigail concluiu que chegou o momento de se vingar. 
A felicidade de dona Zuleika e aquelas amigas dela; estava indo longe demais! 
Ligou pra polícia e disse: 

"- Oi, aqui é Abigail, quero fazer uma denúncia! 
A milionária Zuleika Munhoz cultiva maconha em seu Haras em Itaipava. 
Gostaria que a minha ligação ficasse em sigilo, delegado Xavier, obrigada"!

Semana passada, nem bem o sol se punha, e as senhoras estavam saboreando mais uma rodada daquele chá fabuloso, quando o Sargento da PM, Baltazar de Almeida, empurrou o pé na porta principal da mansão de Zuleika! 
Aos berros sentenciava: 

“ – a casa caiu, malandragem”!

Dona Zuleika estava selecionando algumas coisas pra comer, quando teve a casa invadida. Não conseguia completar as frases, gritava, andava de um lado pro outro, pedia água, tossia, e dizia o tempo todo: 

“ – isso não pode ser verdade”!

Dona Zuleika estava aos prantos. Não escondia a tristeza e profunda decepção pela conduta do neto Adriano. Chorava copiosamente e jurava por todos os santos e Orixás, que não sabia que a plantação vistosa e verdejante cultivada em seu haras com todo afinco e dedicação, na verdade, não passava dum roçado de maconha.

O Sargento da PM, Baltazar de Almeida, foi categórico em sua acusação: 

“ – a senhora, dona Zuleika, não passa de uma VELHA SAFADA, isso sim, passou esse tempo todo acobertando e usufruindo das atividades ilícitas praticadas pelo seu neto maloqueiro e criminoso e agora, que eu disse que a casa caiu, a senhora vem com essa desculpa esfarrapada de que não estava sabendo de nada”?

O tempo fechou totalmente! 
Seu Onofre ficou furioso com a forma com que o policial interpelou a sua senhora. Não hesitou um segundo; ergueu o dedo indicador na cara do Sargento e o chamou de moleque! 
A confusão foi imediata!
Baltazar queria levar Seu Onofre preso por desacato à autoridade e associação ao tráfico de entorpecentes, porém, o próprio Onofre se manifestou favorável a procurar o delegado Xavier, velho amigo e resolveu essa pendenga de uma vez por todas!

O delegado Xavier recebeu dona Zuleika e Seu Onofre em seu escritório. 
Dona Zuleika estava alucinada. Compadres, ele e Seu Onofre começaram a pontuar as arestas da situação. 
O delegado tinha certeza da inocência de Zuleika. Sabia que sendo ela, uma refinada mulher, sequer tinha consciência sobre as dualidades intransponíveis do submundo.

Quanto a Seu Onofre, foi um pouco mais atribulada a conversa. 
Ele sabia do que se tratava. Sabia que o neto Adriano não estava bem intencionado, e, no entanto, preferiu ficar calado, dando uma de sonso, só pra ir se fartar durante a noite, de todas aquelas benesses colhidas ali ao bel prazer!

O delegado Xavier arquivou o inquérito em consideração ao meio século de amizade. Mas indiciou Adriano Munhoz por associação ao tráfico e também por formação de quadrilha!

Liberados, Seu Onofre e dona Zuleika, voltavam pro haras de carro. 
Passaram em frente à chácara de Abigail e ela estava na janela. Dona Zuleika pediu que Onofre parasse o carro. 
Desceu e disse em bom som: 

"- sua cadela velha, um dia você há de me pagar muito caro"!

Abigail respondeu: "- a justiça foi feita, MINHA QUERIDA"!

Indignada, dona Zuleika andava pela sala de estar, lembrando a alegria que Abigail sentiu contemplando o seu sofrimento. 
Trêmula, foi até ao bar room e se serviu de wisky. 
Depois, disse entre os dentes: 

“ – Abigail, sua filha da puta! 
Viverei pelo dia em que te deixarei moída de tanta porrada”!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Será que foi isso mesmo?

Numa badalada adega aqui da cidade, sexta feira passada, realmente a noite estava gelada como condiz à ocasião.
E nada melhor pra um grupo cativo de amigos, do que sair pra tomar aquele caldinho de feijão, beber vinho, caipvodkas e prosear sobre as agruras do cotidiano, certo?

Foi exatamente esse o programa escolhido por Claudia Schneider (27), Sabrina Rufalla (23), Maurício Wierbrantz (25), Diego Souto Sampaio (29), e Paulinha (20). Todos estavam super animados em curtir a noite, exceto Cláudia, que parecia estar de TPM! A queixa maior era porque ela tinha acabado de tomar “um bolo” do namorado.

O namorado em questão era nada mais, nada menos que, João Marcelo Antunes de Queiroz. Ele teve problemas no escritório; estava no Rio a trabalho e por isso, acabou pernoitando no apartamento da família na Barra da Tijuca, atendendo assim a um pedido do seu pai, o renomado advogado criminalista, Dr. Torquato Antunes de Queiroz.

Sabrina e Maurício trocavam beijos e caricias tórridas; enquanto riam de tudo e sorviam suas fartas taças de vinho. Aquela cena típica de casal apaixonado; sabe?
Ele molhava a torradinha no caldo de feijão e fazia “aviãozinho” para a namorada.

Paulinha, depois da segunda caipvodka, disse pra Diego que estava meio tonta e que se bebericasse algumas doses extras, não responderia por si mesma e corria o risco de fazer um strippe tease ali na frente de todos os presentes. 

E a adega estava lotada!

Claudia Schneider estava visivelmente irritadiça. Toda hora mexia no celular, resmungava, mexia no cabelo e fazia gestos descompensados enquanto conversava.
Num dado momento, foi grossa com o garçom. Em seguida acendeu um cigarro atrás do outro e por fim, resolveu que ia beber tequila.
Advertida por Diego sobre ficar fora de controle para dirigir, respondeu secamente:

" - isso é problema meu! Vai tomar conta da sua vida; aproveita e pede pra sua namorada parar de gralhar no meu ouvido"!

Rolou aquele climão, né?

Todos ficaram se entreolhando assustados, até que Cláudia deu uma gargalhada histérica e minimizou:

“ – eu to brincando, gente"!

Logo, o papo seguiu fluindo naturalmente. Falaram sobre os rumos da política, dinheiro, economia, trabalho, rotina, fatura de cartão de crédito, acupuntura, bolsas de grife, champanhe e etc.

Paulinha aproveitou o embalo e reclamou de sua mãe, dona Camila.

Pois é, a queixa de Paulinha é que nunca pode levar o Diego pra dormir em casa.
É que dona Camila não quer saber da filha transando sob o mesmo teto que ela.

Cláudia interveio: "- acho isso a maior palhaçada, sabia? Sua mãe precisa acordar pra vida. Os tempos são outros"!

E beberam outra rodada.

Sabrina já estava trôpega na volta do toillet. E o assunto agora era sobre relacionamentos.

Paulinha disse que seria capaz de se matar, se descobrisse, por exemplo, que o Diego a traiu. Já Sabrina, aos risos, se lembrou do caso "Elise Matsunaga", que matou o empresário da Yoki alegando crime passional.

Foi quando Maurício Wierbrantz perguntou:

" - alguém aqui acredita mesmo nessa teoria de crime passional"?

Foi Cláudia Schneider quem respondeu para a perplexidade de todos:

“ – eu não só acredito, como a 5 anos atrás, quando ainda morava em Joinvile, matei o meu ex namorado a tiros de pistola, porque ele estava "comendo" uma garota da faculdade. Não me arrependo do que fiz! Mudei de cidade, vim pro Rio de Janeiro e acho que sou considerada uma fora do lei lá no Sul"!

Todos a mesa estavam de olhos arregalados. E ela completou:

“ – meu nome não é Cláudia Schneider! Não quero mais beber com vocês! Estou indo pra minha casa! E quanto a você, Paulinha, fique sabendo, meu amorzinho, que eu não gosto de dona Camila, sua mãe"!

Pegou a chave do carro e foi embora cambaleante.

Os amigos boquiabertos indagaram ao mesmo tempo:

" - será que foi isso mesmo"?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A Serelepe da Pontinha!



Pegando carona no grande sucesso da série “As Brasileiras”, contarei a história engraçada e curiosa da estudante de publicidade, Luma Patrícia, 20 anos, moradora da Barra da Tijuca, mas que tem casa na Pontinha – Araruama. 

O pai dela, Seu Antônio, é morador do bairro e ama o espelho d’água que é a nossa lagoa. Mas aqui o assunto não é a poesia que Araruama é capaz de inspirar.
Não, não, não!

O assunto aqui, minha gente, são as serelepices aprontadas por essa carioca danadinha!

Seu Antônio tem um viveiro em casa. E cria duas calopsitas, uma maritaca e um curió. O viveiro fica do lado externo da casa, porém, a gaiola do curió, ele faz questão de manter na sala de estar, porque segundo seus argumentos; é uma delícia, um privilégio, poder acordar todos os dias as 4:30 da matina, sob o som melodioso do seu lindo passarinho!

Luma Patrícia detesta tudo isso. Ela é como eu! E pessoas como a gente, gostam mesmo é duma boa vadiagem ao luar, de tomar uns drink’s até quando o sol está prestes a raiar.

Acordar cedo? Só em último caso! E não nos peçam pra sorrir com graciosidade as 8 da manhã, hein! Deus ajuda a Ana Maria Braga, que cedo madruga, e por isso, ganha 1 milhão por mês!

Sexta feira passada, Luma Patrícia dormia tranquilamente quando foi interrompida, perto das 5 da manhã, pela cantoria do curió. E levantou, puta da vida, jurando em silêncio, uma doce travessura.

Na noite seguinte, bebia caip vodka Absolut de morangos na companhia dos seus amigos: Diogo, Laura e Antenor.

Era quase meia noite, quando uma ideia iluminou o seu rosto.
E sob o olhar preocupado dos amigos, ela foi até a cozinha, buscou um conta gotas, mergulhou na garrafa de vodka, depois foi até a gaiola, pegou o curió e pingou 8 gotinhas no biquinho DELE! 
Isso mesmo! Luma Patrícia resolveu dar um “fogo” no passarinho!

Passaram 5 minutos e a onda da vodka bateu. O danado do curió rachou o biquinho e desatou numa cantoria de dar inveja ao Pavarotti.

" ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪"!

Seu Antônio não entendia nada! Vinha até a beira da gaiola e ficava observando o bissote cantar e pular numa perninha só, como se não estivesse acontecendo COISA NENHUMA!

Na sala de estar, Luma Patrícia soltava um risinho diabólico, sabe? Aquela risadinha maldita, de canto de boca, de quem aprontou uma doce travessura?

E completou cinicamente: 

“ – Pai, que beleza de curió que canta dobrado é esse”?
A Serelepe da Pontinha!!!!!

Pegando carona no grande sucesso da série “As Brasileiras”, contarei a história engraçada e curiosa da estudante de publicidade, Luma Patrícia, 20 anos, moradora da Barra da Tijuca, mas que tem casa na Pontinha – Araruama. 

O pai dela, Seu Antônio, é morador do bairro e ama o espelho d’água que é a nossa lagoa. Mas aqui o assunto não é a poesia que Araruama é capaz de inspirar. 
Não, não, não! 
O assunto aqui, minha gente, são as serelepices aprontadas por essa carioca danadinha!

Seu Antônio tem um viveiro em casa. E cria duas calopsitas, uma maritaca e um curió. O viveiro fica do lado externo da casa, porém, a gaiola do curió, ele faz questão de manter na sala de estar, porque segundo seus argumentos; é uma delícia, um privilégio, poder acordar todos os dias as 4:30 da matina, sob o som melodioso do seu lindo passarinho!

Luma Patrícia detesta tudo isso. Ela é como eu! E pessoas como a gente, gostam mesmo é duma boa vadiagem ao luar, de tomar uns drink’s até quando o sol está prestes a raiar. 

Acordar cedo? Só em último caso! E não nos peçam pra sorrir com graciosidade as 8 da manhã, hein! Deus ajuda a Ana Maria Braga, que cedo madruga, e por isso, ganha 1 milhão por mês!

Sexta feira passada, Luma Patrícia dormia tranquilamente quando foi interrompida, perto das 5 da manhã, pela cantoria do curió. E levantou, puta da vida, jurando em silêncio, uma doce travessura. 

Na noite seguinte, bebia caip vodka Absolut de morangos na companhia dos seus amigos: Diogo, Laura e Antenor. 
Era quase meia noite, quando uma ideia iluminou o seu rosto.
E sob o olhar preocupado dos amigos, ela foi até a cozinha, buscou um conta gotas, mergulhou na garrafa de vodka, depois foi até a gaiola, pegou o curió e pingou 8 gotinhas no biquinho DELE! 
Isso mesmo! Luma Patrícia resolveu dar um “fogo” no passarinho!

Passaram 5 minutos e a onda da vodka bateu. O danado do curió rachou o biquinho e desatou numa cantoria de dar inveja ao Pavarotti. 

" ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪ ♪"!

Seu Antônio não entendia nada! Vinha até a beira da gaiola e ficava observando o bissote cantar e pular numa perninha só, como se não estivesse acontecendo COISA NENHUMA!

Na sala de estar, Luma Patrícia soltava um risinho diabólico, sabe? Aquela risadinha maldita, de canto de boca, de quem aprontou uma doce travessura?
E completou cinicamente: 
“ – Pai, que beleza de curió que canta dobrado é esse”?

sábado, 24 de novembro de 2012

Música sofisticada em Araruama! (relatos de um piano)!



" - Quem aqui aprecia o som de um piano de cauda bem tocado aí, levanta a mão"?

Fiz essa pergunta a uma pequena plateia reunida na sala de estar do apartamento de Luiza Sampaio e, pasmem, não obtive resposta alguma. Todos estavam com aquelas caras embevecidas, olhando pro piano, como se ele fosse uma aparição de alto luxo, garbo e finesse! Mas esse piano, especialmente, era tudo isso junto e, mais um bocado e tanto!

Vou contar essa história, direitinho, pra vocês, queridos!!!!

Luiza Sampaio tem apenas 28 anos e faz uns sete que nos conhecemos!
Desde o nosso primeiro contato, foi amor à primeira vista!
Ela é produtora de arte e, nos conhecemos durante uma exposição no CCBB do Rio. Nos últimos cinco anos; nos correspondemos por e-mail e por telefone, porque ela foi morar em Paris e; em relação ao Brasil, ela meio que não queria saber de mais nada, salvo é claro, poucas e boas exceções.

Acontece que Luiza está de volta a sua pátria; meus queridos!
Veio a contragosto!
Faz questão de ressaltar isso a cada brinde que ergue juntamente aos amigos!

Na verdade, veio por questões familiares e financeiras!
Seus pais são milionários e, estão se separando!

Parece que o Seu Arnaldo trocou Dona Vera Sampaio por uma ninfeta siliconada de 24 anos, porém, isso é assunto proibido aqui em Araruama.

Mas e a história do piano?

Pois é!
O tal piano veio da Europa de navio até o Porto do Rio de Janeiro e, de caminhão, até o seu destino final: Araruama!
Foi presente dum namoradinho francês que Luíza jura ser completamente apaixonada: Jean Pierre Strauss!

Quem passava pela orla do centro, na tarde da última quarta feira, testemunhou aquele rebuliço!
O apartamento de Luíza; fica no prédio azulejado, cor de chumbo, que dá de frente pra Lagoa de Araruama.
E o piano teve que entrar pela janela da frente, com direito a guindaste e tudo!
Sim, tudo isso se deu pelo fato de que o piano de cauda é um trambolho imenso e, não teria a menor possibilidade de passar pelo elevador!
Isso sem contar, é claro, que as poltronas foram removidas simultaneamente (também pela janela)!

Fui à primeira audição do instrumento.
E durante a afinação, pude constatar a imponência e o fascínio absolutos que o piano exercia sobre o ambiente!

Luíza me recebeu com uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot nas mãos.
Estava meio chapada e dispensou o protocolo: nada de taças!
O champanhe era degustado no gargalo mesmo!
Brindamos!
Enquanto conversávamos amenidades, saboreávamos o precioso líquido borbulhante, que descia por nossas goelas, como se o mundo lá fora não existisse!

Devo confessar: eu amo champanhe! E amo a Luíza Sampaio!

Mas quer saber a verdade?
Luíza toca piano mal pra cacete! Os ensaios foram terríveis!

“ - A vida dos vizinhos nunca mais será a mesma”!
(eu zombava enquanto abria outra garrafa)!

Chegou o grande dia! O recital aconteceu anteontem!

Luíza estreou oficialmente o piano para cerca de 12 pessoas!
Quando entrei no elevador, dona Matilde, enfezada, me disse:

“- é hoje que ninguém dorme nesse prédio”!

Dei de ombros e retruquei:

"- a Senhora desce em qual andar mesmo"?

Era quase dez da noite, estávamos semi bêbados e às gargalhadas.
Luíza sentou-se ao piano!
A música escolhida para a estreia foi (escândalo – do Caetano Veloso).
Na primeira nota, era possível perceber que uma desgraça sonora era tudo o que teríamos.

No trecho da música em que diz:

“- eu marquei demais, to sabendo! Aprontei demais, só vendo! Mas agora faz um frio aqui”, (...)

ela deixou as mãos derraparem em cima das teclas, provocando aquele estrondo desafinado e; caiu na gargalhada.

O motivo?
Bem, ela se lembrou que aquele trecho da música fazia menção a temperatura dentro do apartamento.
O ar condicionado central estava ativado e, enquanto lá fora, os termômetros marcavam 25,8 graus; no espaço onde estávamos; a temperatura era de 9 graus!

No dia seguinte, perguntaram a Luíza, qual a razão dela ter um piano de cauda tão caro em casa, uma vez que ela não pretendia sequer, aprender a tocá-lo como se deve?

A resposta veio imediatamente:

“- o piano na minha sala servirá de apoio aos copos de whisky dos meus convidados”!

Em tempo: só existem dois pianos iguais a esse no Brasil.

O outro, encontra-se na sala de estar de dona Júlia!
Música sofisticada em Araruama! (relatos de um piano)!

" - Quem aqui aprecia o som de um piano de cauda bem tocado aí, levanta a mão"?

Fiz essa pergunta a uma pequena plateia reunida na sala de estar do apartamento de Luiza Sampaio e, pasmem, não obtive resposta alguma. Todos estavam com aquelas caras embevecidas, olhando pro piano, como se ele fosse uma aparição de alto luxo, garbo e finesse! Mas esse piano, especialmente, era tudo isso junto e, mais um bocado e tanto!

Vou contar essa história, direitinho, pra vocês, queridos leitores do Jornal O Cidadão!

Luiza Sampaio tem apenas 28 anos e faz uns sete que nos conhecemos! 
Desde o nosso primeiro contato, foi amor à primeira vista! 
Ela é produtora de arte e, nos conhecemos durante uma exposição no CCBB do Rio. Nos últimos cinco anos; nos correspondemos por e-mail e por telefone, porque ela foi morar em Paris e; em relação ao Brasil, ela meio que não queria saber de mais nada, salvo é claro, poucas e boas exceções.

Acontece que Luiza está de volta a sua pátria; meus queridos! 
Veio a contragosto! 
Faz questão de ressaltar isso a cada brinde que ergue juntamente aos amigos! 

Na verdade, veio por questões familiares e financeiras! 
Seus pais são milionários e, estão se separando! 

Parece que o Seu Arnaldo trocou Dona Vera Sampaio por uma ninfeta siliconada de 24 anos, porém, isso é assunto proibido aqui em Araruama.

Mas e a história do piano?

Pois é! 
O tal piano veio da Europa de navio até o Porto do Rio de Janeiro e, de caminhão, até o seu destino final: Araruama! 
Foi presente dum namoradinho francês que Luíza jura ser completamente apaixonada: Jean Pierre Strauss!

Quem passava pela orla do centro, na tarde da última quarta feira, testemunhou aquele rebuliço! 
O apartamento de Luíza; fica no prédio azulejado, cor de chumbo, que dá de frente pra Lagoa de Araruama. 
E o piano teve que entrar pela janela da frente, com direito a guindaste e tudo! 
Sim, tudo isso se deu pelo fato de que o piano de cauda é um trambolho imenso e, não teria a menor possibilidade de passar pelo elevador! 
Isso sem contar, é claro, que as poltronas foram removidas simultaneamente (também pela janela)!

Fui à primeira audição do instrumento. 
E durante a afinação, pude constatar a imponência e o fascínio absolutos que o piano exercia sobre o ambiente!

Luíza me recebeu com uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot nas mãos. 
Estava meio chapada e dispensou o protocolo: nada de taças! 
O champanhe era degustado no gargalo mesmo! 
Brindamos! 
Enquanto conversávamos amenidades, saboreávamos o precioso líquido borbulhante, que descia por nossas goelas, como se o mundo lá fora não existisse! 

Devo confessar: eu amo champanhe! E amo a Luíza Sampaio!

Mas quer saber a verdade? 
Luíza toca piano mal pra cacete! Os ensaios foram terríveis! 

“ - A vida dos vizinhos nunca mais será a mesma”! 
(eu zombava enquanto abria outra garrafa)!

Chegou o grande dia! O recital aconteceu anteontem! 

Luíza estreou oficialmente o piano para cerca de 12 pessoas! 
Quando entrei no elevador, dona Matilde, enfezada, me disse:

“- é hoje que ninguém dorme nesse prédio”!

Dei de ombros e retruquei: 

"- a Senhora desce em qual andar mesmo"?

Era quase dez da noite, estávamos semi bêbados e às gargalhadas. 
Luíza sentou-se ao piano! 
A música escolhida para a estreia foi (escândalo – do Caetano Veloso). 
Na primeira nota, era possível perceber que uma desgraça sonora era tudo o que teríamos.

No trecho da música em que diz: 

“- eu marquei demais, to sabendo! Aprontei demais, só vendo! Mas agora faz um frio aqui”, (...)

ela deixou as mãos derraparem em cima das teclas, provocando aquele estrondo desafinado e; caiu na gargalhada.

O motivo? 
Bem, ela se lembrou que aquele trecho da música fazia menção a temperatura dentro do apartamento. 
O ar condicionado central estava ativado e, enquanto lá fora, os termômetros marcavam 25,8 graus; no espaço onde estávamos; a temperatura era de 9 graus!

No dia seguinte, perguntaram a Luíza, qual a razão dela ter um piano de cauda tão caro em casa, uma vez que ela não pretendia sequer, aprender a tocá-lo como se deve?

A resposta veio imediatamente: 

“- o piano na minha sala servirá de apoio aos copos de whisky dos meus convidados”!

Em tempo: só existem dois pianos iguais a esse no Brasil. 

O outro, encontra-se na sala de estar de dona Júlia!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O sumiço de Boneca!


Essa semana o meu texto é voltado à prestação de serviço a uma família, e por que não? 
A todos nós que amamos os bichinhos de estimação!

Tudo aconteceu na última quinta, de manhã, quando Flávia Picolli abriu a garagem de sua casa na Pontinha pra levar a filha Gabriela pro cursinho de inglês. A gata estimação da família, que atende pelo nome de Boneca, aproveitou a oportunidade e fugiu.

Seu Alberto, o jardineiro da casa ao lado, ainda tentou alertar Flávia sobre a fuga da bissota, mas como a publicitária arrancou com o carro a toda, o coitado do velho ficou acenando em vão.
Uma senhora que fazia exercícios foi a primeira a se preocupar:

“ – Oi Seu Alberto, por que o senhor está gritando desse jeito”?

E ouviu; quase como um lamento, a seguinte afirmação:

“ – foi a gata da menina Gabriela, que acabou de 'dar nos cascos'!
Dona Flávia vive de mau humor, saiu dirigindo feito uma doida e agora, bem, eu não quero nem pensar no desespero dessa menina”!

Realmente, Seu Alberto , tinha razão para se preocupar.
Boneca era o xodó da família.
Foi por volta de duas da tarde, que a família Picolli se deu conta de que Boneca não estava aonde deveria, ou seja, em casa.

Gabriela, simplesmente, começou a berrar quando o Seu Alberto tocou a campainha e relatou o ocorrido. E não parou por aí!
Nada do que se fizesse era capaz de acalmar a menina. Imediatamente, toda a vizinhança estava mobilizada em ajudar a reencontrar a bichana serelepe!

Foi então, que uma ideia iluminou o rosto da mãe aflita, que culminou na seguinte decisão:

“- espalhem cartazes pela cidade, divulguem no Facebook e no Twitter, que Boneca fugiu. E que aquele(a) que trouxer a nossa bissota de volta, receberá uma recompensa de R$ 8 Mil reais”!

Seu Alberto ficou exultante e, depois de soltar uma sonora gargalhada, afirmou:

“ – deixa comigo, dona Flávia, reencontrar essa gata virou uma missão pra mim”!

O zunzunzum se espalhou rapidamente.
Todos queriam ajudar nessa empreitada.
Eu nem preciso perguntar o motivo real para tamanho empenho nesse resgate, né?

Surgiram muitas especulações a respeito do que realmente poderia ter acontecido à gata, agora, fora de casa, sem as regalias felinas de que estava acostumada.

Beatriz, amiga da família, foi uma das primeiras a dar o seu pitaco:

“- ela deve ter fugido com algum gato vira lata, desses que pulam nos telhados, que são rueiros e buscam a sobrevivência por si só”!

A vizinha Mônica deixou escapar:

“ – bem fez essa gatinha, se livrou daquela vida monótona em cativeiro e foi se aventurar atrás dum bom ordinário. Gata que é esperta, gosta mesmo é duma boa cachorrada”!

O pipoqueiro ali da frente da Drogaria Pacheco, sabe? Eu nem tive tempo de perguntar o nome dele.
Quando ele escutou o valor da recompensa a ser paga pra quem encontrar Boneca, abandonou o carrinho, saiu apressado, com doze cartazes debaixo do braço.
Bem na esquina do Hiper Mercado Extra, revelou pro Guarda Municipal:

“- eu passo o ano inteiro aqui vendendo pipoca e não consigo juntar dinheiro! Se eu ganhar esses R$ 8 Mil; serei um homem rico, um homem rico, seu Guarda"!

E foi embora em direção ao Parque Mataruna!

Sendo bem sincero, não acredito que essa gata realmente vá voltar pra casa.
Eu até que fiquei de olho nessa gorjeta felpuda! Afinal de contas, são R$ 8 Mil, mas quer saber?

Gato siamês tem essencialmente a mesma cara. E com isso, o que vai aparecer de gente com uma sósia debaixo do braço, jurando se tratar da legítima fugitiva.
Ih, não vai estar no gibi!

De qualquer modo, a sorte está lançada!
O sumiço de Boneca!

Essa semana o meu texto aqui no espaço do @[100004153533432:2048:Jornal O Cidadão] é voltado à prestação de serviço a uma família, e por que não? A todos nós que amamos os bichinhos de estimação! 

Tudo aconteceu na última quinta, de manhã, quando Flávia Picolli abriu a garagem de sua casa na Pontinha pra levar a filha Gabriela pro cursinho de inglês. A gata estimação da família, que atende pelo nome de Boneca, aproveitou a oportunidade e fugiu.

Seu Alberto, o jardineiro da casa ao lado, ainda tentou alertar Flávia sobre a fuga da bissota, mas como a publicitária arrancou com o carro a toda, o coitado do velho ficou acenando em vão. 
Uma senhora que fazia exercícios foi a primeira a se preocupar:

“ – Oi Seu Alberto, por que o senhor está gritando desse jeito”?

E ouviu; quase como um lamento, a seguinte afirmação: 

“ – foi a gata da menina Gabriela, que acabou de 'dar nos cascos'! 
Dona Flávia vive de mau humor, saiu dirigindo feito uma doida e agora, bem, eu não quero nem pensar no desespero dessa menina”!

Realmente, Seu Alberto , tinha razão para se preocupar. 
Boneca era o xodó da família. 
Foi por volta de duas da tarde, que a família Picolli se deu conta de que Boneca não estava aonde deveria, ou seja, em casa. 

Gabriela, simplesmente, começou a berrar quando o Seu Alberto tocou a campainha e relatou o ocorrido. E não parou por aí! 
Nada do que se fizesse era capaz de acalmar a menina. Imediatamente, toda a vizinhança estava mobilizada em ajudar a reencontrar a bichana serelepe!

Foi então, que uma ideia iluminou o rosto da mãe aflita, que culminou na seguinte decisão:

“- espalhem cartazes pela cidade, divulguem no Facebook e no Twitter, que Boneca fugiu. E que aquele(a) que trouxer a nossa bissota de volta, receberá uma recompensa de R$ 8 Mil reais”!

Seu Alberto ficou exultante e, depois de soltar uma sonora gargalhada, afirmou:

“ – deixa comigo, dona Flávia, reencontrar essa gata virou uma missão pra mim”!

O zunzunzum se espalhou rapidamente. 
Todos queriam ajudar nessa empreitada. 
Eu nem preciso perguntar o motivo real para tamanho empenho nesse resgate, né?

Surgiram muitas especulações a respeito do que realmente poderia ter acontecido à gata, agora, fora de casa, sem as regalias felinas de que estava acostumada.

Beatriz, amiga da família, foi uma das primeiras a dar o seu pitaco:

“- ela deve ter fugido com algum gato vira lata, desses que pulam nos telhados, que são rueiros e buscam a sobrevivência por si só”!

A vizinha Mônica deixou escapar: 

“ – bem fez essa gatinha, se livrou daquela vida monótona em cativeiro e foi se aventurar atrás dum bom ordinário. Gata que é esperta, gosta mesmo é duma boa cachorrada”!

O pipoqueiro ali da frente da Drogaria Pacheco, sabe? Eu nem tive tempo de perguntar o nome dele. 
Quando ele escutou o valor da recompensa a ser paga pra quem encontrar Boneca, abandonou o carrinho, saiu apressado, com doze cartazes debaixo do braço. 
Bem na esquina do Hiper Mercado Extra, revelou pro Guarda Municipal:

“- eu passo o ano inteiro aqui vendendo pipoca e não consigo juntar dinheiro! Se eu ganhar esses R$ 8 Mil; serei um homem rico, um homem rico, seu Guarda"!

E foi embora em direção ao Parque Mataruna!

Sendo bem sincero, não acredito que essa gata realmente vá voltar pra casa. 
Eu até que fiquei de olho nessa gorjeta felpuda! Afinal de contas, são R$ 8 Mil, mas quer saber? 

Gato siamês tem essencialmente a mesma cara. E com isso, o que vai aparecer de gente com uma sósia debaixo do braço, jurando se tratar da legítima fugitiva.
Ih, não vai estar no gibi!

De qualquer modo, a sorte está lançada!

sábado, 17 de novembro de 2012

Araruama 35º


E estamos com a nítida sensação de que o verão chegou mais cedo!
Que calor é esse?
Nada melhor do quê caipirinha, peixe frito e aquele visual paradisíaco do mar de Praia Seca como pano de fundo, né mesmo?
No último sábado, levei o Caio e a Valentina, dois amigos meus, que são estudantes de cinema, para curtirem à tarde nesse clima.
Eles estão na região para realizarem um intercâmbio cultural, o que certamente, resultará no projeto de Curta Metragem patrocinado pela Petrobrás e pelo Itaú Cultural.

Anteontem, duas e pouca da tarde, numa rua movimentada do Parque Hotel, Caio e Valentina aterrissaram com toda a parafernália para que pudessem realizar as tais filmagens.
Valentina interpretou uma repórter do (clima tempo) e o objetivo da entrevista era justamente, ouvir as pessoas se queixando do calor.
Dependendo do contexto, o Caio dava um banho de mangueira no entrevistado.

Eu fiquei morrendo de medo, porque afinal de contas, ninguém tinha a menor ideia de como seria a reação das pessoas.

E eu estava certo!

Teve muita gente que reagiu super mal ao ser surpreendida com o intenso volume de água despejando sobre a cabeça; assim, do nada!

A mocinha que trabalha no banco, coitada, teve que voltar correndo pra casa, se trocar, secar o cabelo e rezar a Deus, pro gerente se esquecer da reunião.
Mas ela teve bom humor!

Saiu rindo e ainda deu três beijinhos no Caio.

O entregador de gás, que pilotava uma moto de baixa cilindrada, até tentou escapar do banho de mangueira a céu aberto, mas acabou mesmo tendo que passar o resto da tarde com o uniforme encharcado.

Teve uma senhora, que estava atrasada pro dentista; que logo depois de levar o banho de mangueira DELA, ficou tão furiosa, mas tão furiosa, que gritou pelo menos uns 30 palavrões durante a discussão.

Eu fiquei do outro lado da rua, acompanhando tudo, devo confessar: APAVORADO!

A cada pessoa que o Caio dava um banho de mangueira, eu ficava pensando se aquilo poderia ter uma reação mais agressiva ou não.
Teve uma hora que não teve jeito: o caldo não só engrossou; como, de fato, acabou entornando de vez.

Uma mulher que voltava do cabeleireiro, havia retocado luzes, feito hidratação, escova, chapinha, tudo que teve direito. Com essa mulher, a confusão foi inevitável.
Ela vinha caminhando pela calçada, mexendo no cabelo, feliz da vida, porque segundo eu fiquei sabendo, ela iria a uma formatura, enfim, a Valentina veio com a mesma conversa fiada de outrora:

"- Oi, meu nome é Valentina Gusmão, eu sou produtora de cinema e estou realizando uma pesquisa sobre a mudança climática. Por exemplo, eu vejo que você passou horas sob o calor do secador. A sensação termina deve ter lhe causado um desconforto e tanto, não foi"?

A moça sorriu e respondeu:

" - nem me fale, eu dava tudo pra tomar um bom banho de mangueira!

Dito isso: “- chuááááááááááááá´”!

O Caio nem sequer titubeou. Lançou um jato d’água tão forte sobre a mulher, que o cabelo dela ficou lambido e (por que não?), destruído, na mesma hora!

A mulher gritou tanto, mas tanto, que eu achei que ela fosse surtar no meio da rua! Xingou uns palavrões, acertou a bolsa duas vezes na cara da Valentina e ameaçou quebrar o equipamento do Caio, pelo menos, umas cinco outras vezes.

E quando ela disse: "- vamos resolver isso na delegacia, meus queridos"!

Eu pensei: " - pronto, deu merda"!

A equipe levou uns quarenta minutos para convencer a mulher a não dar queixa na D.P.
Argumentaram que aquilo não passava de uma brincadeira, que era um filme prum projeto de Curta Metragem, e tudo mais, enfim, depois de muita choradeira e acordos, a mulher foi embora com R$ 300, (ressarcimento justo) para que ela pudesse, então, se arrumar novamente.

Teve uma senhora, de idade, que ficou tão indignada com a “brincadeira”, que ameaçou pedir ajuda ao sobrinho dela.

Detalhe: o cara mora na Favela do Lixo, em Cabo Frio.

Ficamos receosos com essa informação.

Toda hora eu tentava alertar os meus amigos de que aquilo já estava indo longe demais. Que seria sensato dar um stop nas filmagens e irmos tomar um choppinho nos quiosques da orla.

Nada disso adiantava. A cada vez que uma pessoa tomava um banho de mangueira, eu rolava de rir!

Devo admitir: eu ri tanto, mas tanto, que teve uma hora que eu caí na calçada e fiquei rolando de rir, dum lado pro outro, com a mão na barriga e tudo.

Péssimo exemplo, eu sei!

Mas a espontaneidade das pessoas envolvidas era o motivo de toda graça!

O sol começava a se pôr, quando partimos pra casa.
Caio e Valentina estavam tão animados com o seu “curta metragem” que logo trataram de agendar outras filmagens, desse tipo, pela cidade.

Os bairros onde as sequências (entrevista + banho) acontecerão são:
XV de Novembro, Vila Capri, Parque Mataruna e Outeiro!

Tenho a sensação de que isso ainda pode acabar em confusão (das maiores)!
Araruama 35º

E estamos com a nítida sensação de que o verão chegou mais cedo! 
Que calor é esse? 
Nada melhor do quê caipirinha, peixe frito e aquele visual paradisíaco do mar de Praia Seca como pano de fundo, né mesmo? 
No último sábado, levei o Caio e a Valentina, dois amigos meus, que são estudantes de cinema, para curtirem à tarde nesse clima. 
Eles estão na região para realizarem um intercâmbio cultural, o que certamente, resultará no projeto de Curta Metragem patrocinado pela Petrobrás e pelo Itaú Cultural.

Anteontem, duas e pouca da tarde, numa rua movimentada do Parque Hotel, Caio e Valentina aterrissaram com toda a parafernália para que pudessem realizar as tais filmagens. 
Valentina interpretou uma repórter do (clima tempo) e o objetivo da entrevista era justamente, ouvir as pessoas se queixando do calor. 
Dependendo do contexto, o Caio dava um banho de mangueira no entrevistado. 

Eu fiquei morrendo de medo, porque afinal de contas, ninguém tinha a menor ideia de como seria a reação das pessoas. 

E eu estava certo! 

Teve muita gente que reagiu super mal ao ser surpreendida com o intenso volume de água despejando sobre a cabeça; assim, do nada!

A mocinha que trabalha no banco, coitada, teve que voltar correndo pra casa, se trocar, secar o cabelo e rezar a Deus, pro gerente se esquecer da reunião. 
Mas ela teve bom humor! 

Saiu rindo e ainda deu três beijinhos no Caio.

O entregador de gás, que pilotava uma moto de baixa cilindrada, até tentou escapar do banho de mangueira a céu aberto, mas acabou mesmo tendo que passar o resto da tarde com o uniforme encharcado.
 
Teve uma senhora, que estava atrasada pro dentista; que logo depois de levar o banho de mangueira DELA, ficou tão furiosa, mas tão furiosa, que gritou pelo menos uns 30 palavrões durante a discussão. 

Eu fiquei do outro lado da rua, acompanhando tudo, devo confessar: APAVORADO!

A cada pessoa que o Caio dava um banho de mangueira, eu ficava pensando se aquilo poderia ter uma reação mais agressiva ou não. 
Teve uma hora que não teve jeito: o caldo não só engrossou; como, de fato, acabou entornando de vez.

Uma mulher que voltava do cabeleireiro, havia retocado luzes, feito hidratação, escova, chapinha, tudo que teve direito. Com essa mulher, a confusão foi inevitável.
Ela vinha caminhando pela calçada, mexendo no cabelo, feliz da vida, porque segundo eu fiquei sabendo, ela iria a uma formatura, enfim, a Valentina veio com a mesma conversa fiada de outrora: 

"- Oi, meu nome é Valentina Gusmão, eu sou produtora de cinema e estou realizando uma pesquisa sobre a mudança climática. Por exemplo, eu vejo que você passou horas sob o calor do secador. A sensação termina deve ter lhe causado um desconforto e tanto, não foi"?

A moça sorriu e respondeu:

" - nem me fale, eu dava tudo pra tomar um bom banho de mangueira!

Dito isso: “- chuááááááááááááá´”!

O Caio nem sequer titubeou. Lançou um jato d’água tão forte sobre a mulher, que o cabelo dela ficou lambido e (por que não?), destruído, na mesma hora! 

A mulher gritou tanto, mas tanto, que eu achei que ela fosse surtar no meio da rua! Xingou uns palavrões, acertou a bolsa duas vezes na cara da Valentina e ameaçou quebrar o equipamento do Caio, pelo menos, umas cinco outras vezes.

E quando ela disse: "- vamos resolver isso na delegacia, meus queridos"!

Eu pensei: " - pronto, deu merda"!

A equipe levou uns quarenta minutos para convencer a mulher a não dar queixa na D.P. 
Argumentaram que aquilo não passava de uma brincadeira, que era um filme prum projeto de Curta Metragem, e tudo mais, enfim, depois de muita choradeira e acordos, a mulher foi embora com R$ 300, (ressarcimento justo) para que ela pudesse, então, se arrumar novamente.

Teve uma senhora, de idade, que ficou tão indignada com a “brincadeira”, que ameaçou pedir ajuda ao sobrinho dela. 

Detalhe: o cara mora na Favela do Lixo, em Cabo Frio. 

Ficamos receosos com essa informação.

Toda hora eu tentava alertar os meus amigos de que aquilo já estava indo longe demais. Que seria sensato dar um stop nas filmagens e irmos tomar um choppinho nos quiosques da orla.

Nada disso adiantava. A cada vez que uma pessoa tomava um banho de mangueira, eu rolava de rir! 

Devo admitir: eu ri tanto, mas tanto, que teve uma hora que eu caí na calçada e fiquei rolando de rir, dum lado pro outro, com a mão na barriga e tudo. 

Péssimo exemplo, eu sei! 

Mas a espontaneidade das pessoas envolvidas era o motivo de toda graça!

O sol começava a se pôr, quando partimos pra casa.
Caio e Valentina estavam tão animados com o seu “curta metragem” que logo trataram de agendar outras filmagens, desse tipo, pela cidade. 

Os bairros onde as sequências (entrevista + banho) acontecerão são: 
XV de Novembro, Vila Capri, Parque Mataruna e Outeiro!

Tenho a sensação de que isso ainda pode acabar em confusão (das maiores)!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

o domingo do quase sossego...!

O meu domingo começou quase como todos os outros domingos. Quase! Eu acordei super tarde, tomei banho, café e fui pra casa do meu pai. Costumamos almoçar juntos aos domingos. E que o domingo é um dia chato, cansativo, monótono, todo mundo sabe e acha, ou quase todo mundo! O mais engraçado é que até mesmo o meu pai que não é chato feito eu, é um cara super alto astral, otimista até debaixo d’água, quase não reclama do alheio, ontem, ele estava reclamão.

Eu zanzava de um lado pra outro, não sabia bem o que fazia, sobre o que conversava, fiquei trocando os canais da tv e, de repente, veio à notícia que logo se tornaria o acontecimento do domingo em todo o país: o repórter cinematográfico da Tv Bandeirantes, Gelson Domingos, 46 anos, foi morto durante uma troca de tiros entre policiais e traficantes, numa localidade da zona oeste carioca. Ele, assim como todos os outros repórteres incumbidos de cobrir operações de alto risco, estava cumprindo mais um dia de labuta.

É sempre a mesma velha história! O Rio de Janeiro continua se destacando como uma das cidades mais violentas do mundo. E daí, não é mais novidade pra quase ninguém quando ocorre uma situação desse tipo. Virou rotina esse tipo de ocorrência. Surgem os motins, os confrontos entre criminosos e autoridades e os bairros se transformam em praças de guerra a céu aberto. Salve-se quem puder, ou melhor, quem conseguir escapar, né?

Eu fiquei paralisado diante daquela notícia! Estava falando, reclamando de não sei bem o quê e me vi em silêncio total, olhando fixamente pra tv, quase tendo que ser cutucado pelo meu pai pra voltar “a terra”! E escutei dos presentes:

“– eu, hein? Viu um fantasma, menino? Não está cansado de saber que o Rio não é lugar que ninguém pise? E que a toda hora morre um, morrem dez, morrem cem”?

Uma sensação estranha; sabe? Eu quase concordo plenamente com tudo o que estava sendo falado. Mas ainda reluto em admitir um troço desses! Não era mais pra eu me chocar com essas notícias, com os tais motins, com as mesmas carnificinas dos últimos sei lá quantos anos, porém, eu ainda me assusto bastante com essa violência tão gratuita!

E procurei não ficar pensando no assunto enquanto usufruía à tarde em família. À noite, me situando de maiores detalhes sobre o fato, fiquei ainda mais chateado. Cheguei a começar um texto como esse aqui, com intuito não somente de publicar no blog, mas de enviar mesmo pra algum lugar, pra algum portal de notícia, pra secretaria de segurança do estado, enfim, pra qualquer lugar onde fosse possível manifestar a minha indignação e inquietude mediante mais esse caso. Em vão!

As idéias se embaralharam tanto na minha cabeça, que três parágrafos adiante eu travei. Não saía mais nada, nem uma linha. Não escrevi mais porra nenhuma tamanha a minha estupefação. E acabei desistindo. Pensava com meus botões: “– vou escrever sobre isso a troco do quê, meu Deus, se não serei sequer lido, atendido, saciado em minhas indagações”? E larguei tudo pra lá. Tentei abstrair outra vez.

O jornalismo sofreu mais uma baixa. Uma tentativa de ser calado a balas, em rede nacional. Todo mundo se perguntando: - mas e a liberdade de imprensa?

Minha mãe sempre teve pavor que eu me enveredasse por esse caminho, o da comunicação. E contrariando às suas expectativas, é uma das minhas maiores paixões. Enquanto ela apontava o dedo pra mim e dizia:

“-tá vendo o que eu falo pra você? Que esse negócio de jornalismo é um perigo; olha aí! De onde já se viu os repórteres irem pro meio do fogo cruzado em favela, minha Nossa Senhora”?

E eu bem sério retruquei: “- agora mesmo, eu seria capaz de fazer exatamente a mesma coisa que esses ilustres companheiros fizeram. Pegaria uma câmera, um microfone, um bloquinho de anotações, o diabo se fosse preciso, mas não me deixo intimidar”!

A Band além de lamentar a tragédia, enviou uma nota declarando que o cinegrafista trajava colete à prova de balas, que estava guarnecido de todos os aparatos cabíveis para aquela situação. Por mais que a gente não confie muito nesses coletes, eles se mostram bastante eficazes. No entanto, a dúvida é: são capazes de resistir a tiros de fuzil? Pelo visto, não! E foi-se o tempo que as armas usadas pelos criminosos eram aquelas das quais se podia blindar. Nem o super-homem conseguiria peitar os armamentos de grosso calibre ostentados nesse tipo de embate.

Em relação a minha inquietude e tristeza sobre esse episódio lamentável, finalmente consegui começar outro texto e estou publicando aqui. Talvez não devesse, mas porque, não? Vai mudar o eixo dos acontecimentos? É; provavelmente não. Até porque a vida do Gelson já foi extirpada mesmo. Mas é aquilo – a gente não pode continuar se fazendo de desentendidos.

O grau de dormência que nos atinge é elevado, mas ainda corre sangue e indignação em nossas veias. Ainda temos fé, esperança, isso ainda não nos foi tirado. E por mais combalidos que nos sintamos, por mais impotentes que estejamos, devemos nos reunir e continuar peregrinando em prol de mudanças positivas. Então é assim? Vamos recuar? E o sagrado direito de ir e vir, fica aonde?

Já que pagamos impostos tão caros, mas somos aconselhados a não fazer quase mais nada pra que não morramos de graça, precisamos fazer pelo menos uma coisa enquanto ainda é possível: reivindicar eficácia na retomada pela segurança pública, ué!

E faço minhas, as palavras do Presidente da Associação Nacional de Imprensa: “- o jornalista tem que seguir informando a notícia na hora em que acontece; não podemos nos deixar intimidar por mais essa brutalidade”.